Tuesday, August 12, 2008

18/02/02 – Cortina D’Ampezzo, Itália

(19º dia - Hotel Albergo San Marco 3*)

Jacque:


Foi uma longa noite de sono: como dormimos cedo (21h30), acordei algumas vezes durante a noite e sempre era “ainda cedo”. Acordamos e descemos para o café, “nossa” mesa estava marcada com a plaquinha de quarto 223 e já estava o cardápio da janta pronto para que deixássemos marcados os pratos que gostaríamos. Café simples e gostoso, além do fato de termos acordado com o cheiro de bolo no quarto…

Saímos com o carro após alguns minutos de manobras para retirar o gelo dos vidros, temperatura de –3ºC, dia de céu azul e sol. Nos dirigimos para Brunico onde iríamos fazer câmbio e depois tentar esquiar. Na estrada que liga Cortina a Dobbiaco (1500m de altitude) chegamos a pegar –6ºC (temperatura mais baixa até agora), e depois de Dobbiaco se desce cerca de 1000mts e a neve foi escasseando e a temperatura subiu até +2ºC. No ano passado, em dezembro, havia muito mais neve nessa região.

Chegamos à Brunico com sol e nenhum sinal de neve (estávamos achando que não haveria neve para esquiar em Anterselva). Fomos ao banco e conseguimos ótimo câmbio, sem taxas. Demos mais uma passeada e seguimos para Oberassen/Rasun di Sopra, onde passamos o Natal de 2000, passamos em frente ao “querido” Hotel Andreas Hofer e nada de neve, seguimos então até Anterselva, onde fica o Biathlon Centro de Sci Fondo e Biathlon, onde fizemos nossa única aula de esqui, há um ano atrás. Chegando lá, sorte nossa, havia neve. Muito movimento. Temperatura de 2ºC e calor quando no sol.

Dessa vez, optamos por não ter aula, apenas pegar os esquisa e “se atirar” na neve. Alugamos o equipamento (botas e esquis) a sete euros para cada um, para o dia inteiro.

Alpes 292 - Superesqui 2 Alpes 291 - Superesqui

O início, insegurança total… apesar de estar apenas no plano, não me sentia firme e ficava me desequilibrando. Após alguns minutos, comecei a me sentir progressivamente mais segura, ao menos para andar em linha reta com os esquis e deslizar em micro-descidas. Já o Marcelo, milagrosamente, não caía e estava bem mais firme que no ano passado. Fomos então “nos aventurar” por um caminho até o lago, pois no início estávamos só na área de treino. Como estávamos com muito calor, fomos até o carropara largar as mochilas e algumas peças de roupa.

Foi bem legal, conseguimos nos aocstumar mais e “pegar o jeito” com os esquis, eu consegui andar por cerca de 2h30 sem nenhum tombo, e o Cello só caiu duas vezes sempre como conseqüência de manobras “ousadas”: a primeira vez ele desceu uma “ladeira” em curva e quando chegou no final caiu tentado desviar de outro esquiador; e a segunda quando tentaou subri uma rampa e após alguns passou ele desceu “de ré” e caiu de costas. Foi bem divertido, ainda falta muita agilidade e técnica, mas foi bem melhor que no outro ano… Paramos para almoçar no simpático restaurante do local por volta das 14h30. Tomamos dois chopinhos de 200ml e comemos linguiça com batata e chucrute acompanhado por uma mostarda maravilhosa! Completamos a gostosa refeição com dois capuccinos. Voltamos para esquiar por mais um tempinho e daí decidimos voltar a Cortina para pegarmos o comércio ainda aberto.

Alpes 294 - Estrada Brunico-Cortina

Retornamos com temperaturas entre +1 e +4ºC. Deixamos o carro no estacionamento do hotel e fomos dar uma olhada no centro. A grande maioria lojas de grife, muito caras, “não para o nosso bico”, mas comprei dois livros para o pai sobre os Dolomitas e sobre a participação dos italianos da região na Primeira Guerra. Espero que ele goste! Voltamos para o quarto, banho, descanso, ajeitar as malas pois amanhã partimos…

Descemos para jantar às 19h50 e, como já havíamos escolhido o cardápio, só tivemos o trabalho de pedir água mineral (resolvemos abrir mão do vinho essa noite…). Meu primo piatti for melanzana alla parmigiana (berinjela com muito queijo e molho de tomate picante). O Cello pediu sopa de ervilhas que, apesar de gostosa, não se compara à dele. O secondo piatti foi igual para os dois: Saltimboca Romana (vitela coberta com speck e molho madeira mais batata assada e salada – excelente!). A sobremesa, finalmente, foi uma maravilhosa torta de ricotta para mim e sorvete de chocolate para o Cello.

Tudo muito gostoso, pena que amanhã daremos adeus à Cortina D’Ampezzo.

Buonna notte.

Monday, August 04, 2008

17/02/02 – Cortina, D’Ampezzo, Itália

(18º dia - Hotel Albergo San Marco 3*)

Marcelo:

Tudo deu muito certo. E, para compensar os 600km rodados ontem, hoje rodamos bem pouco, cerca de 150km, saindo de Pordenone e acabando em Cortina. Foi assim:

Após tomar o café da manhã no Hotel Best Western de Pordenone, saímos para caminhar pela cidade. Segundo o Guia Visual Folha de São Paulo, a cidade é composta por apenas uma rua, a Corso Vittorio Emmanuelle II, uma longa rua que é margeada por belas casas com arcadas de tijolo rosa. A rua termina no Pallazzo Comunale, que fica próximo a Duomo, que tem um campanário imponente. No Pallazzo Comunale, ainda, há a torre do relógio, do século XVI.

De volta ao hotel, checkout e estrada. Saímos em direção a Oderzo, após a Conegliano, Vittorio Veneto (cittá gemelata com Criciúma e São Caetano do Sul). Em Vittorio Veneto, pegamos a S51, em parte cênica, que leva direto à Cortina D’Ampezzo, a principal estação de esqui da Itália, onde chegamos pouco depois do meio-dia. Estacionamos num parking público e decidimos procurar hotel. Rapidamente encontramos o aconchegante e não exageradamente caro Hotel San Marco. O quarto amplo, aquecido e com um grande vista para o vale. Busquei o carro e o estacionei no estacionamento privativo do hotel, gratuito. Quando saímos do carro, começou a nevar, neve essa que aumentou a ponto de transformar a vista do quarto do hotel uma paisagem de sonho. Como era hora da siesta, a cidade estava vazia.

Alpes 287 - Hotel San Marco Cortina Alpes 285 - Caminhando na neve

Caminhamos um tempo sob a neve que caí incessamente até encontrar um bar aberto, onde almoçamos mini-pizzas com capuccino de tiramisu de sobremesa. De volta ao hotel, ficamos mais umas duas horas de bobeira até que a neve parou. Não estava muito frio, cerca de 2 ou 3ºC, e, por volta das 17 horas saímos para a rua para telefonar para as famílias. Tudo bem no Brasil, tudo bem em Cortina. Muitas (MUITAS!) pessoas andando nas ruas, crianças brincando na neve enquanto anoitecia.

Alpes 284 - Vista do quarto do hotel Cortina D'Ampezzo Alpes 283 - Cortina D'Ampezzo

Voltamos ao hotel e ficamos acompanhando as Olimpíadas de Inverno pela RAI TRE, torcendo junto com os locutores. Isso enquanto tomávamos um bom vinho do Friule, safra 2000. Tomamos toda a garrafa. A janta, no hotel, começava às 19h30. Às 19h45 descemos e – como esperado – havia uma mesa reservada para nós. Servida à francesa, tinha entrada (crème de cogumelos), prato principal (carne) e sobremesa, à escolha. Juntos, pedimos vinho, e tomamos a segunda garrafa rapidinho. Voltamos ao quarto bem risonhos e, ao deitar, fiquei até meio tonto. Tomei um Dramin e fui dormir esperando não acordar de ressaca porque amanhã teria esqui em Anterselva (boa e velha Rasun di Sopra).

Até.

Friday, February 01, 2008

16/02/02 – Pordenone, Itália

(17º dia - Park Hotel 3*)

Jacque:

Voltamos à Itália e, apesar de tudo, deixamos a Áustria sem ressentimentos (explicações a seguir na narrativa…).

Acordamos em Viena e tomamos nosso café-da-manhã “bandeijão” ótimo, exceto pelo leite (de máquina) que é um tipo de Molico “ainda mais aguado”, ou seja, impossível de beber. Troquei, então por um chá…

Arrumamos nossas coisa, fizemos o check-out e fomoe embora com Viena numa manhã de pouco sol (com um tipo de neblina) e temperatura em torno dos 2 ou 3ºC. Paramos para abastecer, afinal o diesel na Áustria foi o mais barato que encontramos até aqui ( 1 litro = 0,668 Eur). Completamos o tanque com 22,53 litros e saímos de Viena pela 17 (colateral da Autobahn A2), lentamente, afinal ela passa por diversas cidadezinhas, e – no terço final até Graz – andamos pela própria A2, sempre com céu nublado e temperatura de 2ºC.

Entramos em Graz, a segunda maior cidade da Áustria mas considerada “pouco turística”. Visitamos o “Centro Antigo” (Altstadt), de muito movimento nas ruazinhas para pedestres com calçamento de pedra, cheias de lojas, cafés e inclusive músicos tocando na rua. Graz será a capital cultural da Europa em 2003, e por essa razão há muitas obras pela cidade, incluindo uma estátua similar à Estátua da Liberdade para marcar o evento (esse monumento ainda está na fase inicial, em sua estrutra metálica).

Alpes 272 - Altstadt Graz

Após nossa pequena volta, saímos de Graz (cidade onde nasceu o ator Arnold Schwarzenegger, que dá nome ao estádio de futebol local). Nossa saída foi – mais uma vez – por uma estrada menor (nº 70), que teria trechos cênicos. Paramos para almoçar num MacDonald’s em Rosental, ao lado do que parecia ser uma usina nuclear (pelo menos tinha a torre de resfriamento). Eu comi um Menu Dobble fisch-Mac e o Cello um McCountry Deluxe. Na saída, aionda pegamos um caffe-latte grande para a viagem, o que já virou tradição.

Começamos a subir por uma rota cênica montanha acima, na neve. Subida muito bonita, com árvores cobertas de neve e queda da temperatura para –1ºC. Aos poucos fomos nos dando conta que começou a nevar, timidamente no início e aumentando de intensidade aos poucos, começando a cobrir tudo de branco… belíssimo!

A altura máxima que chegamos dois em Packsattel, uma passagem de montanha a 1169m de altitude, com temperatura de –4ºC, a menor até agora na viagem. Paramos para tirar fotos na estrada com a neve caindo, coloquei o tripé e a máquina em cima do carro, ligada no automático. Quando eu desci do carro, a máquina “voou” para o chão e se “estatelou” no asfalto. Tomamos o maior susto, achei que tionha quebrado… a bateria saltou longe, a lente ficou semi-aberta, mas, para nossa sorte, o compartimento do filme ficou intacto. Após recolocar a bateria e secá-la, voltou a funcionar perfeitamente. E tiramos a foto!

Alpes 275 - Começando a nevar Austria

A neve começopu a ficar cada vez mais intensa, o que realmente é um espetáculo belíssimo, tudo branco… as árvores, os carros, a estrada, e esse é o porém, afinal o perigo aumenta! Com a neve bem intensa (estávamos, como disse, em uma estrada menor, colateral) começamos uma “subidinha” com o carro e este começou a derrapar muito. Apareceu no visor do computador de bordo o desenho de um carro “derrapando”… Tornou-se impossível seguir em frente, o carro patinava e não andava, e não adiantava acelerar. Ansiedade! Chegamos a pensar que teríamos que ficar ali até o limpa neve passar. Mas como não havia nenhum outro carro na estrada, o Celllo conseguiu deixar o carro descer de ré um pouco e com cuidado, e conseguiu manobrar na estrada e dar meia-volta. Voltamos “na ponta dos dedos” até a cidadezinha de St Andre, onde havia acesso para a auto-estrada A2.

O trânsito na A2 estava lento mas tranqüilo devido à neve e à neblina. Tudo branco, e de tempos em tempos passavam caminhões limpa-neve, o que tornava o trajeto bastante seguro. Temperatura se mantinha entre –2 e 0ºC. Um pouco antes de Klagenfurt entramos em uma Rast statation (posto + restaurante + lojinha) para irmos ao banheiro. Ainda nevava bastante. Ao estacionarmos e sairmos do carro, saiu de uma van um policial que disse ser da aduana. Aduana?!

Não entendemos nada, e pedimos que falasse em inglês, please. Disse ser da polícia aduaneira e solicitou nossos passaportes e documentos do carro. Ficamos desconfiados, pois não estávamos ainda próximos a nenhuma fronteira (ou será que nos perdêramos e estava na Eslovênia?). Depois de conferir nossos documentos, pediou para mostrarmos o selo de permissão para circularmos de carro pelas auto-estradas austríacas, o que – óbvio – não tínhamos e nem sabíamos que era preciso… só depois o Marcelo lembrou que não viagem dos Perdidos, em 1999, havíamos comprado esse selo…

O policial, então, nos idsse que precisávamos comprar para seguir adiante, e somado à multa, nos saiu pela bagatela de Eur 120,00! E ainda tínhamos que deixar a Áustria em vinte e quatro horas. Por isso resolvemos deixar a Áustria o quanto antes. O pior de tudo é que faltavam menos de duas horas de viagem para sair do país (e na frointeira com a Itália nem pediram documentos). Ou seja, se não fosse pela parada para ir ao banheiro, nada disso teria acontecido (foi o “xixi” mais caro de nossas vidas). Saímos “emburrados” e decidimos passar por for a de Klagenfurt e chegar na Itália o mais breve possível, pela própria A2. Entramos na Itália já anoitecendo e sem neve.

Seguimos pela A23, que cruzou a fronteira em Arnolstein,e fomos em direção à Udine (cerca de 70km). Passamos por um pedágio (Eur 4,90), mas o “tio” queria tanto troco em moedas que acabou se atrapalhando e nos devolvendo um euro a mais, o que só percebemos quando já tínhamos saído da praça de pedágio. Chegamos em Udine por volta das 19h, noite de sábado, grande movimento de carro. Pelo Guia da Folha de São Paulo, Udine não tem grandes atrativos, e foi essa a impressão (bem superficial) que tivemos durante nosso passeio de carro pela cidade. O mais intrigante é que vimos pouquíssimas indicações de hotel, e todos 2 ou 3 estrelas, bem “fraquinhos”.. A única atração de Udine deve ter sido o Zico, quando jogou lá… ah, passamos pelo estádio Friuli, da Udinese. Acabamos desistindo de Udine e seguindo mais uns 50km até Pordenone, que tinha indicação do Park Hotel pelo guia de hotéis da rede Best Western.

Pordenone é uma pequena cidade cujo nome é uma homenagem ao pintor Il Pordenone (1484-1539), artista da região. Circulamos um pouco até achar o hotel bem central, com quartos confortáveis e recém reformados. Diária de 85 euros com café-da-manhã e estacionamento. Nos instalamos e saímos para jantar. Grande movimento de pessoas para uma cidade pequena. Jantamos num bonito restaurante (“Al Cattina”), onde comemos duas pizzas por 8 euros cada e dois chopps de 400ml, num total de 30 euros, inlcuída a gorjeta.

Volteio tão cansada para o hotel que não consegui escrever o relato completo do dia, que só terminei no dia seguinte, no carro, a caminho de Cortina D’Ampezzo.

Até mais.

15/02/02 – Viena, Áustria

(16º dia - Hotel Ibis - Mariahilf)

Marcelo:


Há muitos anos atrás, decidi que - se um dia eu morasse na Europa – moraria em Viena, cidade que eu só fui conhecer pessoalmente ontem. Por que Viena, então? Talvez pela fama da cidade: ópera, a música clássica, os cafés, Freud. Hoje eu teria uma resposta simples para esta pergunta: Viena é a cidade mais linda do mundo.

OK, eu não conheço TODAS as cidades para afirmar isso. Praga, por exemplo, dizem que é maravilhosa, assim como Budapeste. Mesmo assim, eu afirmo com tranquilidade que Viena é a mais bela, ou – concessão – uma das mais belas. Que cidade teria, a poucos metros de distância, estátuas de Mozart e Goethe? Os museus, os jardins, os parques? Viena tem muitos jardins e parques, e também transpira música.

Alpes 262 - Estátua de Goethe Vienna Alpes 261 - Estátua de Mozart Vienna

Conheci a cidade num dia de céu profundamente azul, sem nuvens. Frio, muito frio. Caminhamos por toda a cidade dentro do inner ring. Começamos pelo Kunsthistorieche Museum, visitando o acervo complosto pelo que era a coleção de arte dos Habsburgos. Aliás, grande Habsburgos! No museu ainda, visitamos a exposição “Ouro do Faraó”. Saindo do museu, fomos ao Burgarten (fotos com Mozart e Goethe), seguindo para o Teatro da Ópera (La Traviata, hoje, 15/02, SOLD OUT). Pela Karintnerstrasse, fomos até a Stephenplatz para fotografar a Dom.

Alpes 255 - Heldenplatz Vienna


Após rápido passeio por ali, seguimos em direção ao Staadtpark e, passando pela Schwazembergplatz, até o Schloss Belvedere, que tem um grande jardim que na primavera e verão fica repleto de flores, ausentes agora devido ao inverno. Nosso roteiro de visitas seguiu voltando à Karintnerstrasse (com almoço no McDonald’s) e à Mariahilfstrasse. Isso já eram quase 16h. Pequena parada para compras. Após, nos separamos. Eu, internet café. Jacque, hotel. Nos encontramos de volta ao hotel para mais tarde ir jantar.

Alpes 266 - Stadpark Vienna

Descobrimos, hoje, que o rink de patinação fica normalmente em frente à Prefeitura (Rathaus, Hotel de Ville). Lá, barraquinhas onde tomamos quentão (glüchwein).

Alpes 259 - Tomando glüchwein

A Janta, no Pizza Hut aqui perto, foi com pressa porque o restaurante ia fechar. Na saída, fomos no McDonald’s pegar o café e – como este demorava – ganhamos como compensação uma torta de banana.

Resumindo muito, o dia foi assim.

Sono.

Amanhã, adeus Viena e retorno ao oeste velho de guerra. Não sei de onde escreverei.

Tchau.

Wednesday, June 13, 2007

14/02/02 – Viena, Áustria

(15º dia - Hotel Ibis - Mariahilf)

Jacque:

Frio, frio, muito frio! Não tínhamos sentido muito frio em nenhum dia da viagem (quando comparamos ao “Natal na Neve”), mas hoje o frio nos pegou de surpresa…

Acordamos em Salzburg, nos arrumamos e descemos para o café, que foi gostoso, exceto pelo café – que estava morno – e o suco, muito doce (na minha opinião, claro, porque o Marcelo achou “o melhor suco da viagem”). Fizemos o checkout e voltamos ao centro para visitarmos o jardim do Mirabel Schloss, que está com bem menos flores que o usual por ser inverno (no verão as roseiras ficam muito lindas).

Alpes 244 - Jardins do Mirabel Schloss

Depois da visita, com o trânsito caótico e as ruas muito estreitas do do centro de Salzburg, tentamos ir até a Abadia de Monnberg, onde viveu Maria Von Trapp e foram gravadas cenas de “A Noviça Rebelde”. Impossível, por causa do trânsito infernal (engarrafamento). Demos meia volta e seguimos nosso roteiro que passaria por Hallstadt (a que não conseguimos visitar ontem) e depois seguir direto até Viena.

A temperatura em Salzburg era 4ºC, nublado e com um ventinho gelado… Conforme pegamos a estrada, surgiu um pouco de neblina, nuvens pesadas e temperatura variando de 2 a 4ºC. Saímos pela 145, no tradicional trajeto estrada pequena – cidadezinhas – lagos – subidas sinuosas – neve, sempre bonito mesmo com o dia nublado.

Chegamos à pequena Hallstat, cidade que fica à beira do lago (o belíssimo Hallstättersee) de água muito transparente. A cidade fica “encrustada” na montanha e foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1997. É um pequeno vilarejo que existe desde a Roma Antiga e, provavelmente, desde a era dos celtas. Conhecida por suas minas de sal (o ouro branco dos romanos). Deviso ao solo muito rico em sal, a conservação de ossadas humanas e de ruínas é muito boa (foi como provaram que já era habitada desde 800 ac.

Alpes 247 - Hallstadt

Estacionamos e saímos do carro. Muito frio e umidade (cerca de 2ºC, com neve nas ruas). Caminhamos pela bela beira do lago com a cidade quase deserta, exceto por alguns poucos turistas ocasionais. Nesta época do ano quase todas as hospedarias e restaurantes estão fechados (fora de temporada).

Alpes 250 - Hallstadt

Fomos até o “micro-centro” da cidade (uma pequena praça com 2 restaurantes e cerca de quatro lojas) e entramos em um café para nos aquecermos. Tomamos 2 capuccinos e 2 fatias de “Kirschrahmnstrudel” wärme, traduzindo: strudel de cereja quente: de-li-ci-o-so! Pedimos o de maçã mas não tinha, e a de cereja estava um show! Saímos “quentinhos” e satisfeitos, e voltamos até o parking para seguir o nosso longo caminho até Viena. Optamos por seguir por auto-estrada para ganharmos tempo. Pegamos algumas estrada menores até chegarmos à A2, que nos trouxe até aqui.

No caminho, chuva, frio e temperatura oscilando, até que em uma subida a chuva virou um “neve fininha” que aos poucos foi pintando de branco as árvores, casas, ruas (muito lindo, parece ter sido “polvilhado” com açúcar de confeiteiro…). A temperatura chegou a –2ºC, o mínimo até agora na viagem.

Chegamos na imensa cidade de Viena com poucos indicações de nossos mapas. Já havia parado a chuva e a neve, mas a temperatura mantinha-se entre 3-4ºC. Como os hotéis centrais seria caros e de difícil acesso, optamos por procurar o Ibis, que tem um preço moderado, estacionamento e que já tínhamos o endereço. A cidade é muito bem sinalizada, portanto não foi muito difícil encontrar a Maria Hilf Gürtel, uma grande avenida periférica que circunda a cidade. Encontramos o imenso Ibis (tem 341 quartos!) com diária de € 97,00 com café da manhã (+ € 8,00 de parking). Decidimos ficar dois dias. Quarto confortável, aquecimento central.

O Marcelo ficou lendo o guia da Áustria enquanto eu tomei banho e me preparei para sairmos. Descemos até a recepção, pegamos um mapa mais completo da cidade e a recepcionista disse que poderíamos chegar ao centro com o metrô linha U3. Saímos meio perdidos (acabemos tendo que voltar até o quarto pois eu esqueci meus óculos) e fomos pela imensa Mariahilf gürtel até a estação de metrô. Chegamos até a comprar um cartão de 4 viagens (pensamos que eram quatro tickets “separados”, como em Paris, mas é um cartão para 4 viagens, único – para uma pessoa) e não tínhamos conseguido “nos achar” no mapa do metrô, acabamos desistindo e seguindo a pé até a Mariahilfstrasse, uma extensa rua de comércio com milhares de lojas e fast foods e muitos letreiros luminosos, que segue até o “ring” do centro histórico de Viena. Frio, muito frio!

Vento gelado no rosto, orelhas congelando, mãos frias (mesmo de luva) e perda progressiva da sensibilidade das coxas (pois eu não coloquei meia-calça por baixo das minhas calças!!…). Seguimos este longo trecho a pé, até chegarmos o tal “ring” do centro. Paramos novamente para conferir o mapa e seguimos com muito frio mas extasiados com os belíssimos prédios, fontes, esculturas, museus, tudo extremamente bem iluminado e destacado, impecável. Passamos pelo museu de história natural e o Kunsthistoriche (prédios fabulosos) pelo Burggarten (onde estão as estátuas de Mozart e Goethe – já estava fechado. Seguimos pela Kärntmerstrasse (para pedestres) até a Stephenplatz onde está a belíssima catedral gótica (com telhado de mosaicos coloridos) a Stephensdom. Entramos na hora que estava sendo celebrada a missa pelo Bispo (+3-4 padres e 3-4 diáconos)!, lindíssimo. Altar coberto por cortina roxa pela quaresma. Seguimos pela rua onde está a bonita coluna da peste, pela Saint Peter’s Kirche (e pelo café Lehmann).

Já quase congelados, entramos no Bistrô El Tempo para o nosso Valentine’s Day Dinner. Pedimos 2 minestrones de entrada (porção pequena), 2 cervejinhas de 500ml (tradição dos últimos dias) e após o Cello comeu spaghetti bolognesa e eu penne arabiata, com molho vermelho e MUITA pimenta. No início “queimou” minha língua e, depois, já acostumada, foi ótimo, pois o frio desapareceu! Saiu € 27,00 e deixamos € 3,00 de gorjeta.

Saímos então para o longo e frio caminho de volta. Voltamos cruzando pelo “meio” dos prédios mais bonitos e famosos de Viena que, se não fosse pelo frio, valia a pena sentar-se em um banco de praça e ficar admirando os prédios iluminados! Voltamos até a Mariahilfstrasse, passamos no McDonald’s e pegamos 2 copos de caffe latte grandes para viagem (cerca de 300ml cada) e saímos tomando nosso caminho de volta… o frio dissipou-se gradativamente…

Agora é hora de descansar pois amanhã temos aproveitar o máximo desta cidade lindíssima…

Até.

Monday, November 27, 2006

13/02/02 – Salzburg, Áustria

(14º dia - Hotel Lehenerhof)

Marcelo:

Nós, Brasil, somos uma nação muito jovem. Temos pouco mais de 500 anos. É isso o que me faz crer que ainda chegaremos a um alto grau de desenvolvimento e educação. Pode ser que leve tempo, que eu nem viva para ver isso, mas vamos conseguir. Não podemos nos comparar a quem tem mais de dois mil anos de história.

O trânsito, por exemplo. Tenho certeza que, uma semana após retornar de viagem, já vou estar estressado e discutindo com outros motoristas tão ou mais nervosos qu eu. Prometo - sinceramentre – tentar melhorar nesse ponto.
Aqui as coisas funcionam de outro jeito. O pedestre sempre tem preferência. Colocou o pé na faixa de segurança, param o carro para que atravessemos a rua. Demora para um pedestre brasileiro se habituar. O trânsito, mesmo em grandes cidades – com exceção da Itália, claro – é mais tranqüilo que o do Brasil. Aqui em Salzburg, tem até sinal sonoro para cegos atravessarem a rua. São outros quinhentos, ou outros mil anos…

De volta à viagem, que hoje ganhou um nome: depois de ‘Perdidos na Espace – Uma Van na Europa’ e ‘Natal na Neve – Europa 2000/2001’, estamos agora na viagem ‘Europa Inverno 2002 – Alpes e Lagos’. Estávamos em Innsbrück, no ótimo hotel Alpotel Tyrol. Ótima noite de sono que se segui com um café da manhã muito bom, com destaque para a salada de frutas. Logo após o café, fomos para a rua dar a última passada e fazer câmbio.

No tourist information conseguimos um câmbio mais ou menos e vimos um imenso mapa dos alpes que, excluindo Paris, tem todo o roteiro de viagem. Muito grande e caro, não compramos. Voltando à Altstadt, passeamos um pouco pelas estreitas ruas com lojinhas de souvenirs (a Jacque procurava presentes) e, numa delas, encontramos aquele mesmo mapa dos Alpes numa versão um pouco (bem pouco) menos e bem mais barato. Compramos.

Voltamos ao hotel, checkout (€116,75) e seguimos adiante. Na saída de Innsbrück, parei num posto de gasolina e abasteci o carro (diesel a €0,744/l) num total de €35,00. Abandonamos Innsbruck numa bela manhã de sol pela 171 até a pequena Wiesing, onde desviamos para para a 169 e por ela fomos até Zell am Ziller. Nesta cidade, entramos numa ‘scenic route’ em direção a Gerlos. É importante ressaltar que ‘scenic route’ nessa viagem significa subir por estradas estreitas com muitas “tornantes” (curvas de 180º) em subidas. Gerlos é uma estação de esqui bem interessante, e lá paramos para fotos na neve e próximo a corredeiras com aspecto de MUITO frio. De volta à estrada, passamos pela Gerlopass (passagem de Gerlos), antes de descer com muitas tornantes até Mittersill, onde trocamos de estrada para a 168, que nos levou até Zell am See, nosso primeiro destino do dia.

Alpes 229 - Esticando as pernas em Gerlos

Como o nome diz, essa Zell fica às margens do Zellersee, lago que estava congelado, com patos e gansos caminhando em sua superfície, os últimos com certa dificuldade porque escorregam devido ao seu peso. Deixamos o carro num parking e fomos passear pelo centro. Paramos no McDonald’s, compramos dois Menu McCountry Deluxe e fomos comer sentados em um banco à beira do lago. Após o almoço, enquanto circulávamos pela Banhofstrasse, um internet café “se atirou” em minha frente. Entrei e verifiquei e-mails. Daí, passeamos mais um pouco pela orla do Zellersee e fomos de volta à estrada. Nosso destino então era Hallstatt, dita a mais bela cidade de beira de lago da Áustria. Para isso, pegamos a 311 em direção a Höhle e deveríamos entrar na 99. Por alguma razão que não sei explicar, não encontramos a saída para a 99 e acabamos na A10 em direção à Salzburg, que se tornou nosso próximo destino.

Alpes 233 - Zell am See

Não tinha lido nada sobre Salzburg no nosso guia de viagem. Logo, ao entrar na cidade não tinha a menor idéia do que encontraria. Com certa facilidade, chegamos na cidade velha, e segui em frente à procura de hotel. Os da rede Best Western, do nosso guia de hotéis da rede no mundo, eram todos 4* e muito caros para nós. Indo por instinto, entrei na Ignaz-Harrer-Strasse, algo como uma Azenha (referência à avenida de Porto Alegre) de Salzburg. Nesta rua, vi o letreiro do Hotel Lehenerhof. Parei o carro e fui até a recepção. O preço, bom (€ 72,00 com café da manhã). O estacionamento, gratuito. Ficamos.

Alpes 235 - Salzburg

Com um mapa da cidade que pegamos na recepção, pudemos ter uma idéia da cidade. Basicamente, divide-se em duas, a nova e a velha, pelo rio Salzach. Seguimos caminhando até a margem do rio, e por ela fomos até o centro (e a Altstadt). Circulamos pelas suas estreitas ruas até a Herbert Von Karajanplatz, e aí à Universidade, a Dom e a Mozartplatz. Lá, outro Internet Café “se atirou” na minha frente. Entrei novamente e consegui responder aos e-mails que precisava (não havia conseguido em Zell am See). Adiante, entramos na Getraidegasse, onde está a Geburthaus (casa onde nasceu Mozart). De lá, fomos pelo outro lado do rio, na começo da noite, até o Mirabellgarten, onde há uma estátua de Paracelsus, junto ao Paracelsus Kuhrhaus (complexo de saunas, piscina, etc).

Alpes 236 - Salzburg

Alpes 238 - Catedral Salzburg Alpes 237 - Getreidgasse Salzburg

Atravessamos novamento o rio e voltamos, pelo mesmo caminha da ida, procurando um local para jantar. Acabamos no Wienerwald, da mesmo rede onde jantamos ontem, em Innsbruck. Muito bom e, melhor, no térreo do nosso hotal.

Alpes 241 - Salzburg à noite

Amanhã, Viena.

Sunday, September 10, 2006

12/02/02 – Innsbruck, Áustria

(13º dia - Hotel Alpotel)

Jacque:


Olá! Hoje é dia de festa em Innsbruck. Isso mesmo, aqui também é dia de carnaval. Depois explico…

Acordamos com os nossos “fofíssimos” edredons de pena, arrumamos a bagunça e descemos para o café. Só para variar, hotel simpático, ótimo café e só nós dois na sala do café (muito bonita e, além do tradicional buffet de café, um iogurte com frutas silvestres e uma geléia de framboesa e amora excelentes! Infelizmente, todas essas coisas maravilhosas têm um preço… em calorias…

Fizemos o checkout e deixamos Lindau para trás… quem sabe um dia voltamos… mas sem fígado na janta, é claro… Ainda antes de sairmos, escolhemos a estrada a seguir (pelo menos a primeira) e depois eu fico com o mapa dando as indicações… Isso me fez receber o título de “Musa do Mapa” – adquirido na viagem anterior e reforçado nesta!

Alpes 215 - Tirol

Temos optado, sempre, por estradas menores (evitando as highways) e as mais bonitas (Scenic Route – marcada no mapa Michelin com a cor verde). Foi o que fizemos. Saímos de Lindau, pegamos a 308 - Alpenstrasse, que cruza pelo meio de uma floresta e uma bonita planície. O dia amanheceu nublado e foi “limpando” aos poucos. A temperatura, que era de 5ºC chegou até 18ºC em momentos com muito sol. Belo passeio! Fomos em direção ao Zugspitze (pico mais alto do Tirol). Passamos por Lindenberg, Immenststrabe ober joch (1180m de altitude) com neve e entramos novamente na Áustria (sem nenhuma aduana). Seguimos pela 314 e, já próximos à Innsbruck, optamos por desviar para uma scenic route antes de chegarmos à cidade. Subimos ima montanha por uma estrada muito íngreme até Seefeld.

É uma bela estação de esqui, e tinha uma quantidade boa de neve e mujita gente esquiando nos arredores da estrada. Sol forte, que fazia a temperatura se manter em 13ºC mesmo no meio da neve. Vários hotéis, todos aparentemente muito bons… Chegou a dar vontade de ficar ali, mas seguimos para Innsbruck, que era o destino do dia!

Chegamos à cidade com muito sol, deixando a cidade ainda mais bela (é toda cercada por montanhas nevadas). Temperatura de 15ºC no sol, bem agradável. Rumamos para o centro e no primeiro hotel que vimos o Marcelo resolveu perguntar o preço. Alpotel, quatro estrelas, bem central, com estacionamento. Preço €108,00 com café mais €8,00 pelo estacionamento, o que só descobrimos depois… Chegamos a circular um pouco mais, mas como o hotel era bom e bem localizado, acabamos voltando. O hotel é muito bom mesmo: quarto enorme com banheira, com salinha (mesa + poltronas) e sacada.

Deixamos nossas coisas e descemos para passear, pois fomos informados que as ruas próximas estavam fechadas para o desfile do carnaval de rua! Saímos a pé e seguimos a multidão de pessoas que se preparava para o desfile que iria começar às 14h na Maria Tehresien Str., rua principal de Innsbruck. As lojas estavam fechando e já havia muita fantasiada pelas calçadas.

Alpes 227 - Innsbruck

É muito legal. O desfile em si é super simples, são pequenos grupos que passam a pé ou em tratores e caminhões enfeitados, tocando músicas variadas (ópera, gaita de fole, rock, etc). Grupos de velhinhos tocandotmabores e cornetas de plástico, homens vestidos de mulher e vice-versa. Em outras palavras, “um frege”. As pessoas que assistem também usam fantasias, namorados, mães, pais, avós, crianças, etc. Executivos com nariz de palhaço e gravata torta, perucas, chapéus…

O bacana é que todos mundo se diverte de forma simples, sem exibição excessiva… Achamos bem legal. Várias barracas vendiam chope, quentão, taças de espumante, salsichas, pretzels, sonhos com recheio de geléia, etc. Além de assistirmos boa parte do desfile, sempre circulando, também caminhamos por toda a Maria Theresien St (muito bonita, com casas coloridas, lojas e restaurantes. No meio desta rua está a Annasäule (coluna de Anna), uma bela coluna de mármore esculpida que foi feita entre 1704 e 1706 para comemorar a coroação do Imperador Leopold II. Caminhamos, também, até o antigo Palácio Imperial (Hofburg), onde hoje funciona um museu. Em frente ao museu há a estátua eqüestre do arquiduque Leopold V, que governou o Tirol de 1618-1632.

Alpes 222 - Innsbruck

Passamos pelas ruas de pedestres do belo centro antigo (repletas de foliões) e seguimos até uma área oróxima ao Estádio Olímpico (Innsbruck foi sede da Olimpíadas de Inverno de 1964 e 1976). Antes de voltarmos para o hotel, passamos num mercado, compramos dois tipos de queijo, vinho, água mineral, “crackers”. Subimos para o quarto e ficamos vendo tevê e comendo queijinho com vinho… Pior é que agora nem tenho fome para jantar…

22:20hs – Descemos do hotel por volta das 20h30 e ainda haviam muitos foliões pelas ruas. Em vários pontos (esquinas, praças) haviam Djs colocando som (geralmente rock americano ou música alemã/austríaca). Muita sujeira nas ruas, com garrafas e copos de vidro no chão. Mais da metade das pessoas está fantasiada, ou com algum chapéu esquisito ou com o rosto pintado! É interessante que apesar de alguns estarem nitidamente bêbados, não vimos nenhuma briga ou “empurra-empurra”, nem apelação. Ou seja, muito legal!

Ficamos na cidade antiga, na praça da “Goldener Dachl”, casa construída em 1420 por Friederich IV como residência dos soberanos, olhando o pessoal dançando (nós também dançamos, claro), chegamos a ver um grupinho de brasileiros com a camisa da seleção, mas não nos aproximamos. Às 21h, o DJ encerrou a música e o pessoal começou aos poucos a se dispersar e já entraram em ação as grandes máquinas de limpar as ruas. Circulamos mais um pouco e acabamos voltando à Maria Theresien Str., onde paramos no Wienerwald, onde comemos cordon bleu (carne de porco à milanesa recheada com presunto e queijo) com salada e fritas + chope de 500ml. Prosit!

Ligamos para a mãe e falamos também com a Kaká e a Beta. Bem legal! Agora sim, encerro o dia.

Até.

Saturday, April 08, 2006

11/02/02 – Lindau, Alemanha

(12º dia - Hotel Stift)

Marcelo:

A idéia de viajar não é antiga na evolução do homem ocidental. Deve ter surgido mais ou menos junto com a instituição do casamento. Nada a ver com a lua de mel, é que neste ponto em que o homo sapiens deixou de ser nômade, surgiu a propriedade privada e, para mantê-la, o matrimônio. E a idéia de volta.

A volta para casa – assim como a preparação e a viagem em si – é fundamental para a idéia de viagem. Nômades, ciganos e gafanhotos não viajam: apenas vão de um lugar ao outro. É isso o que as pessoas não entendem quando digo que voltar para casa é tão bom quanto viajar. Para nós, ainda não é a hora de voltar, temos muito pela frente, o que vai tornar a idéia de voltar ainda mais interessante.

Estou escrevendo da Alemanha. Mais especificamente de Lindau, às margens do Bodensee, lago que faz fronteira de três países: Suiça, Alemanha e Áustria. Falando em lagos, assim como pelos alpes, essa é uma viagem por muitos lagos. Passamos por Aix-les-Bains e Annecy, na França, às margens de lagos. Contornamos uma parte do Lac Leman, entre Genebra e Evian. Paramos em Thun, no Thunersee, passamos batido por Interlaken (entre os lagos), visitamos Luzern com seu lago, dormimos às margens do Zurichsee, que hoje contornamos, passando por cima do Wallensee e acabando o dia na simpático Lindau, onde já estivéramos nos últimos dias do ano 2000, na viagem “Natal na Neve”.

Depois do stress que foi achar o hotel ontem à noite, após o banho e mesmo após descrever o dia em nossos diários de viagem, estávamos os dois sem nenhum sono. Meia-noite, o som de alguém roncando num quarto distante, e sem nenhum sono. Apelamos para as drogas: Dormonid para os dois. Uma noite bem dormida e sem sonhos, que acabou com o despertador tocando às 8h.

Seguindo a rotina de férias, café da manhã e estávamos prontos para o checkout às 9h20. Deixamos o hotel Ibis Zurich Technopark e fomos de carro até o parking Urania, o mesmo de ontem. Saímos caminhando até a Banhofstrasse, a avenida das lojas e bancos e, de lá, até a Hauptbanholfplatz, onde fica a estação de trens. Dando meia-volta, seguimos pela mesma Banhofstrasse em direção ao lago, parando num Coop (supermercado) para comprar filme para a máquina fotográfica.

Desviando um pouco da rota principal, subimos até a St.Peter’s Kirche, a catedral gótica de Zurich, que tem o maior relógio de fachada (na fachada) da Europa. De lá, seguimos até a Fraumünster, catedral protestante com belos vitrais de Marc Chagal. Como ela fica próximo ao local onde o rio Limmat deságua no lago, fomos até a ponto para fotos com as duas catedrais ao fundo. Atravessamos para a cidade antiga, fotos na beira do rio, e paramos para comprar o canivete novo da Jacque (o outro foi junto com a bolsa roubada em março de 2001). Dali, seguimos até a Grossmünster, de onde a reforma protestante na Suiça germânica foi liderada.

Alpes 202 - Zurich
Zurich

Após visitar a catedral, nos dirigimos até a Niederdorfstrasse e, na Spiegelgasse, entramos à direita para visitar o local onde era o Cabaret Voltaire (onde iniciou o movimento dadaísta) e a casa onde Lenin morou antes de voltar à Rússia para liderar a revolução. Aliás, próximo à St. Peter’s Kirche, fica a esquina James Joyce, pois foi em Zurich que ele escreveu o clássico (e ilegível, para mim) Ulysses.

Voltamos ao carro e – milagre – foi fácil sair de Zurich. Decidimos ir contornando o lago até Rapperswill (subúrbio de Zurich, praia de lago) para então acessar uma scenic route que passaria pelo Wallensee, cruzando após um pequeno trecho de Liechtenstein para chegar em Bregenz, Áustria, às margens do Bodensee. Então, pegamos a 17 saindo de Zurich, após para a 3 em direção a Näfels e após a Sarganz.

Alpes 204 - Indo para Liechtenstein
Alpes...

Alpes 205 - Visão Alpes e Lagos
... e Lagos


Em Schaan, fronteira da Liechtenstein com a Áustria, paramos para gastar os nossos últimos francos suiços, com chocolates, coca light e picolé. Para entrar na Áustria, controle aduaneiro (com carimbo no passaporte) e viagem pela autoestrada até Bregenz. Lá chegando, demos uma rápida olhada no centro da cidade e decidimos escolher um hotel na beira do lago para ficar. Fomos rodando pela avenida que beira o lago, e como Lindau fica a 8km de Bregenz, já na Alemanha, e é conhecida e simpática, fomos até ela.

Chegando, estacionei na praça em frente à Igreja e fomos ver se havia vagas no Hotel Stift, que tem um restaurante embaixo e – ótimo – estacionamento atrás. O quarto, imenso, para até quatro pessoas muito bem instaladas. Deixamos nossas coisas no quarto e fomos caminhar, passando pela Maximilianstrasse até o porto, no final da tarde, uma belíssima imagem.

Alpes 211 - Lindau
Lindau

Após, caminhamos até encontrar o hotel em que ficamos ano passado. Muitas voltas até encontrá-lo. Voltamos para o quarto e tomamos nosso bom vinho d’Abruzzo. Banho e janta no restaurante do hotel, dois andares abaixo do nosso quarto.

Alpes 212 - Hotel Stift Lindau
Hotel Stift

Muito boa a comida, com cerveja e apfelstrüdel com nata de sobremesa. Amanhã, Innsbruck. Vamos virar a Áustria do avesso, antes de voltar aos alpes italianos.

Até amanhã.

Saturday, April 01, 2006

10/02/02 – Zurich, Switzerland

(11º dia - Hotel Ibis City Technopark)

Jacque:

Hoje o dia foi extremamente pitoresco:

1- Belas paisagens de lagos suiços;
2- Crise de riso com a “musiquinha” do Marcelo;
3- “Stress” do estacionamento;
4- O “Sr Risadinha” no restaurante;
5- “Grande perdida” em Zurich (e arredores) para reencontrar o hotel

Vamos descrever item por item.

1. Belas paisagens dos lagos suiços

Acordamos e tomamos um gostso café da manhã no Hotel Chertreuse de Thun. No corredor do hotel havia uma bandeija de maçãs e, ao lado, um plaquinha que dizia “An apple a day keeps the doctor away”: levei uma para a viagem…

Saindo do hotel, fomos em direção ao centro antigo, estacionamos e caminhamos pelas ruas vazias de domingo, com o som dos sinos da igreja dobrando. Thun é muito bonitinha, bem estilo alemão de casas tipo enxaimel, ruas calçadas com pedras irregulares e banhada por um belíssimo lago de águas transparentes (o Thunersee). Ficamos um tempo observando os cisnes e patos que “tentavam” voar e “estatelavam-se” na água… Muitas lojas de produtos esotéricos e coisas místicas.

Alpes 175

Pegamos o carro, seguimos um pouco e paramos novamente para fotos do lago. É incrível que quase toda volta do lago (que é bem grande) é calçada para que se possa fazer caminhadas, andar de bicicleta, roller ou patinete… muito legal! Continuamos pela maravilhosa rota cênica da beira do Thunersee, comas montanhas nevadas ao fundo (temperatura ±4ºC) até Interlaken, onde apenas passamos de carro pois estava “chuviscando” e já havíamos visitado em 1999. Interlaken, como o nome mesmo diz, é a cidade que fica entre os dois lagos, o Thunersee e o Brienzersee.

Alpes 179

Seguimos pela mesma estradinha “podre de cênica”, agora contornando o Brienzersee. Passamos por Brienz, eu queria parar mas o Cello não quis porque estava uma chuvinha “super-mixuruca”, e seguimos adiante… A estrada então subia uma montanha, e a chuvinha virou em uma “nevezinha” muito suave (temp. 3ºC). Passamos por Lungern, outra cidade à beira de uma lago e continuamos na estrada até chegar a Luzern.

Alpes 180 - O lago e os Alpes

Alpes 182 - O lago os Alpes e o casal

Fomos até o centro, colocamos num parking e saímos para passear. A primeira parada foi para almoço no MacDonald’s com McDeluxe (é tri-bom, com molho de mostarde de Dijon) com batata média e refri médio enormes (CHF 10,50 = R$ 17!). De lá, fomos caminhar pela cidade, dia nublado e vento muito frio. Luzern é banhada pelo belo lado Vierwaldstättersee e no cantro antigo tem a linda ponte de madeira (Kappelbrücke) que é o símbolo da cidade.

Alpes 186 - Lucerna

Alpes 188 - Kappelbrücke Lucerna

Muitas ruas e lojas estavam enfeitadas com máscaras, serpentinas, e balões devido ao carnaval e, de tempos em tempos, passávamos por crianças e adultos fantasiados e maquiados para esfiles de carnaval (as pessoas saem fantasiadas para assistirem os desfiles… roupas e máscaras tipo Halloween, bem bacana, sem apelação). Caminhamos pela beira do lago, pelas ruas do centro antigo com os bonitos prédios de paredes pintadas e pela Kappelsbrücke. Passamos novamente no Mac para usar o toilette e depois seguimos o caminho em direção à Zurich. Por duas vezes tivemos que desviar o trajeto na estrada pois nas cidadezinhas a rua principal estava fechada para o carnaval…

Chegamos em Zurich sem indicação de hotel, cidade grande, custamos um pouco para achar o centro (que também acaba na beira do lago, o Zurichsee). Chovendo, demos uma olhada geral e decidimos procurar hotel mais na periferia, pois os centrais seriam muito caros. Saímos em direção à auto-estrada e vimos a indicação de Hotel Ibis (o da rede francesa). Peguei nosso livrinho do Ibis e descobri que haviam três em Zurich, e decidimos tentar ficar no mais central (City Technopark). Apenas com escassas indicações, rodamos bastante mas acabamos achando (o hotel fica junto ao Novotel e ao Etap, da mesma rede). Hotel novo – foi inaugurado há dois anos –com bom preço (CHF 99,00 + parking + früstick)> Largamos as coisas no quarto e saímos em direção ao centro para visitarmos a cidade. Antes de sairmos, o Marcelo tirou a camiseta que estava usando por baixo da blusa de lã pois estava com calor. Aí vem o item 2…

2. Crise de riso com a “musiquinha” do Marcelo

Estamos nós no carro, procurando as indicações do centro e do lago, e o Marcelo começa a cantarolar baixinho (com a melodia da música “Adocica”, do Luís Caldas):

“Ai, pinica, meu amor
Ai, pinica,
Ai, pinica, meu amor
A minha camisa…” (querendo dizer que a camisa de lã estava coçando).

Nem foi engraçado, mas eu tive um terrível ataque de riso convulsivo… chorava de rir, o Marcelo nem conseguia entendero que estava acontecendo…

Chegamos ao centro, haviam diversas indicações de parkings, entramos em uma na entrada de um túnel, que estava com a cancela fechada e paramos para ver como funcionava:

3. “Stress” do estacionamento

Enquanto tentávamos entender como se fazia para abrir acancela do que achávamos ser um parking público, uma voz começou a falar em alemão, muito alto, da “pequena caixinha” que imaginávamos onde seria o lugar de pegar o ticket, o Marcelo falou, em português (?!) algo do tipo “onde abre” e depois perguntou em alemão se falava inglês e a voz berrou “NO PARKING HERE, NO PARKING HERE!”, tomamos um baita susto e saímos de fininho. Conseguimos finalmente estacionar no parking URANIA.

Alpes 201 - Zurich

Fomos, então, caminhar pela Banhofstrasse, a principal rua de comércio “chique” e dos grandes bancos de Zurich, com vento frio e razoável movimento, pena que tudo fechado. Seguimos a pé até a beira do lago e atravessamos a ponte sobre o rio Limmat para o bairro universitário, lugar mais alternativo com ruas estreitas, muita gente caminhando e vários restaurantes, bares, cafés, casa noturnas e “inferninhos”. Caminhamos para um “reconhecimento”, passamos pela igreja Grossmünster (estava fechada) e paramos em um internet point para lermos e enviarmos emails (recebi um da Kaká com fotos e tudo) e para o Marcelo enviar A Sopa. Pegamos dois computadores por meia hora (CHF 5,00 = 30min).

Alpes 198 - Rio Limmat Zurich

Quando saímos já estava escuro, mas eram recém 18h15. Como estava muito frio, caminhamos mais um pouco e vimos que a maioria das pessoas já estava jantando. Optamos por jantar cedo para retornarmos cedo ao hotel.

Escolhemos o italiano Santa Lucia (comida italiana sempre é mais barata…), lugar bonito e quentinho, sentamos em uma mesa junto à janela da rua e em seguida o garçom separou nossa mesa em duas (cerca de dois centímetros uma da outra…) e colocou um “fumante” junto anós…

4. O “Sr Risadinha” no restaurante

Pedimos nossas pizzas, eu quatro queijos e o Cello Santa Lucia e duas Heineken. O cara que sentou ao lado (parecia falar inglês) sentou sozinho, pediu a comida e,cada trinta segundos, tinha um “acesso de riso”. No início achei que ele estava entendendo o que falávamos e ria disso, depois que achei que ele lembrava de alguma coisa muito engraçada (tipo a musiquinha do Marcelo), mas no final percebi que o cara era FORA DA CASINHA mesmo, aquilo era tipo um tique, muito angustiante… Tomamos um café e saímos (conta = CHF 53.00 + gorjeta = 60.00).

Retornamos ao estacionamento com um chuvinha leve e a bela visão das luzes da cidade refletidas no rio Linnat. Saímos com o carro e daí recomeçou o drama.

5. “Grande Perdida” em Zurich a arredores

Não sabíamos, ou lembrávamos, exatamente que caminho fazer para voltar ao hotel. Na primeira tentativa, “erramos feio”: pegamos uma indicação para o aeroporto e acabamos entrando num túnel imenso e, após alguns quilômetros, havíamos saído de Zurich e tivemos que dar algumas voltas para retornar até a cidade. Rodamos por algum tempo ao redor da estação férrea e arrodores, sem sucesso… não achávamos nenhuma posta do hotel. Passamos por ruas desertas, por lugares meio esquisitos, até que – após mais ou menos 45 minutos rodando – por sorte encontramos uma indicação que nos fez achar a pequena placa de rua que indicava o Hotel Ibis e chegar aqui. Exaustos, chegamos para o banho e escrever nossos diários. Na TV passam imagens dos Winter Games de Salt Lake City.

Bom, esse foi o longo dia de hoje.

Estou cansada. Até.

Saturday, March 25, 2006

09/02/02 – Thun, Switzerland

(10º dia - Hotel Chartreuse)

Jacque:

O despertador tocou às 8h e só conseguimos levantar às 8:30. Tomamos um ótimo café da manhã no Kyriad (buffet com pães, frios, geléia, croissant, bolo, ovos cozidos, cereais…). Fizemos o checkout (a grande maioria dos hóspedes já havia saído para subir as montanhas) e fomos em direção ao Lac de Annecy para conhecermos a cidade “de dia”. Estacionamos no parking doHotel de Ville (o mesmo da noite de ontem). A cidade é mesmo muito linda (como os amigos Diovanne e Cris haviam dito).

Alpes 161
(Annecy)

O lago de Annecy é grande, ladeado por montanhas e com água verde transparente. No lago é possível velejar, remar, nadar e até pescar (tem placas que avisam que se pode pescar no máximo três trutas por pessoa com no mínimo 25cm de comprimento)> Certamente a truta que eu comi ontem foi pescada aqui! Do lago, partem canais rasos, de água límpida, que cruzam as ruas do centro antigo. Annecy é conhecida como a “Veneza da França”.

Alpes 159
("A Veneza francesa")

Annecy é mesmo um sonho. Caminhamos calmamente pelas ruazinhas de pedestres, passamos pela igrejinha (não sei o nome), mas não entramos porque (novamente) estava tendo uma missa de corpo presente. Fizemos uma caminhada pelo parque que tem à beira do lago. Várias pessoas caminhando e correndo, muito legal!

Pegamos o carro e fomos em direção à Genebra (Suiça), passando antes para abastecer no Carrefour que tinha o melhor preço (diesel 1litro = 0,72). Desta vez enchemos o tanque. Chegamos à Genebra e atravessamos para a margem direita do Lac Léman, rumo à Thonon e Evian, que são na França. Seguimos pela margem do lago com a paisagem bela, mas um pouco prejudicada pelo dia nublado e uma leve neblina. Em Thonon paramos no McDonald’s apenas para um “McMix” (que, aliás, estava lotado, bem como toda a estrada – carros com equipamento para esquiar), e paramos também num mercado onde comrpamos uma garrafa de suco de laranja e uma de água para fazermos nosso piquenique, que fizemos em Evian (a cidade da água mineral), em um lugar deserto na beira do lago (nós e as gaivotas). Havíamos comprado um bagette e dois croissants au chocolat et amendes antes de sairmos de Annecy. Fizemos sanduíches de baguette com requeijão com a nossa copa e queijo defumado – ficaram ótimos – e de sobremesa comemos os maravilhosos croissants com crème e amêndoas… Fora que a paisagem era inigualável.

Voltamos à estrada plenamente satisfeitos com o nosso almoço. Seguimos então por uma estrada colateral que nos levaria à estação de Les Diablerets (onde “encontramos” com a neve na viagem dos Perdidos, em 1999), Gstaad e, finalmente, Interlaken ou Thon, ambas na regi˜åo dos lagos (decidimos isso minutos antes, pois não tínhamos um plano pré-determinado). Subimos os novamente os Alpes com redução progressiva da temperatura e aproximação da neve. Na Suiça está tendo bem menos neve que na França, isso talvez explique o grande movimento em Annecy ontem…

Paramos em Les Diablerets no Centro de Informações para tentarmos câmbio (eram sábado, 4pm, estávamos ficando preocupados de não conseguir Francos Suiços). A mocinha do ‘i’ disse para o Marcelo que câmbio na Suiça só em bancos e só na segunda-feira! Resolvemos seguir até Gstaad (uma das estações de esqui mais “chiques” da Suiça) para vermos se realmente não havia chance de câmbio. Chegamos em Gstaad e paramos na Central de Informações Turísticas, pois não tínhamos moedas nem para colocar no parquímetro. Para nossa sorte, conseguimos o câmbio 1USD = 1,63 CHF (o oficial é 1,68, mas câmbio de final de semana em estação de esqui… não podíamos querer muito melhor, né?).

Com dinheiro no bolso, estacionamos o carro (apesar do parquímetro estar sem-emperrado) e fomo caminhar pelo “centrinho nervoso” de Gstaad. Très chiq! Pessoas elegantérrimas, visons misturados com roupas de esqui, cachorros “frescos” e as mais diversas línguas (inglês, alemão, italiano, francês). Gstaad fica no cantão alemão da Suiça, é pequena e tem hotéis carésimos! Olhamos alguns preços por curiosidade, a maioria das diárias custava mais de cem dólares por pessoa! Um dos hotéis tem o formato de um castelo e fica em uma colina acima da cidade (muito lindo!).

Alpes 172
(Gstaad)

Pegamos novamente o carro (que, aliás, está IMUNDO, por dentro e por for a) e descemos “a serra” por estradinhas sinuosas até chegarmos, já anoitecendo, na cidadezinha de Thun, à beira do lago Thunersee. No extremo oposto do lago encontra-se Interlaken, que visitamos em 1999. Passamos rapidamente de carro pela cidade e resolvemos perguntar o preço em um hotel um pouco mais afastado, mas muito simpático, Hotel Chartreuse. Tudo em alemão, inclusive os adoráveis edredons e travesseiros de pena. Preço CHF 130,00 = † 88,00 – bom para a Suiça. E com café da manhã! Rapidamente nos acomodamos, banho, etc.

O Cello “investigou” os preços do bonito restaurante do hotel mas eram exorbitantes! Fomos até o centro histórico, muito bonitinho, bem estilo alemão e jantamos na Tratoria Rimini, comida italiana mas atendimento germânico. Comi um delicioso risoto ao porcini e o Marcelo um macarrão au formule uni (com nata e speck), muito gostoso com birra e arrematado com café - CHF 50,00 = † 34,00! Saímos do restaurante e tentamos ligar para as respectivas famílias várias vezes, sem sucesso. Voltei ao hotel e tentei de novo o pai e a mãe (ninguém atende) mas consegui falar com o celular da Karina que disse que o pai e a mãe estão na praia. Pedimos que ela desse notícias para os nossos pais.

Gütten nicht!

Sunday, March 19, 2006

08/02/02 – Annecy, Rhône Alpes

(9º dia - Hotel Kyriad)

Marcelo:

Saudades da Soletur!

Hoje fizemos três países num único dia. Explico no decorrer da narração.

Após uma maravilhosa noite de sono no não menos maravilhoso Hotel Milleluci, acordamos com o espetáculo da manhã nos Alpes. A temperaura, 0ºC, e o sol só aparece lá pelas 10h, após vencer a altura das montanhas que circundam a simpática Aosta.

Alpes 142
(Manhã em Aosta)

Descemos para o café ainda admirados com o hotel quando fomos surpreendidos pelo café da manhã incluído na diária. Uma imensa mesa com diversos sucos diferentes, iogurtes, cereais, pães, tortas caseiras e doces, biscoitos, cookies, nutella, geléias, etc. Outra, com queijos e salames, quiches, etc. Uma loucura. Não sabíamos o que comer nem por onde começar.

Após o nababesbo café, fomos até a cidade passear e conhecê-la um pouco. Paramos o carro no parcheggio próximo a Porta Augusta (Aosta é a “Roma dos Alpes”) e depois de fazer câmbio e fotografá-la com o nosso hotel ao fundo, seguimos pela mesma rua onde fica o restaurante em que jantamos ontem. Fomos até a Porta Pretória (fotos) e seguimos para o Teatro Romano, que está em escavação e restauração. Em nosso passeio, ainda passamos pelo Hote de Ville (fala-se francês aqui tanto quanto o italiano). De volta ao carro, retornamos ao hotel, fizemos o checkout e deixamos Aosta.

Alpes 148
(Aosta)

Nosso projeto para o dia era ir até Courmayer e, pelo túnel do Mont Blanc, ir até Chamonix e terminar o dia em Annecy. Pela pequena e movimentada S26 (scenic route) fomos até Courmayer, cidade-irmã de Chamonix, separadas pelo Mont Blanc. Não estava muito frio, cerca de 7ºC, e notamos no caminho que algumas placas que indicavam o túnel estavam tapadas e outras não. Quando parei para abastecer, o frentista me disse que o túnel estava fechado e, para atravessar, só pelo túnel de Gran San Bernardo, que liga Aosta à Suiça (Bourg Saint Pierre).

Como tínhamos a intenção de visitar Courmayer, decidimos ir adiante e manter a – agora – esperança de passar pelo Mont Blanc diretamente à Chamonix. Chegamos lá, uma bela cidade alpinas, com fotos nossas, e a informação de que realmente o túnel que deveria ter sido reaberto em março de 2001, após o acidente de 1999, permanecia fechado.

Alpes 149
(Courmayer)

Nossa passagem da Itália para a França teria que ser passando pela Suiça, pois a única alternativa de transposição dos Alpes era o túnel de Gran San Bernardo. Todas as passagens alpinas estavam fechadas devido ao inverno. Retornamos de carro a Aosta e, de lá, rumamos para o San Bernardo, no que se mostrou uma ótima alternativa (além de única). A estrada que vai a ele é quase em cima da montanha, por isso subimos muito, até todo entorno da estrada ser neve e algumas árvores cobertas de neve. Completamente uma scenic route. Nos últimos 3 ou 4km antes do túnel, vamos subindo no que eu chamei de “túnel vazado” e a Jacque de “estrada coberta”.

Alpes 151
(A caminho do Gran San Bernardo)

Dentro do túnel, a aduana. Paramos o carro, a polícia verifica os passaportes (checa um banco de dados) no lado italiano e tem o mesmo procedimento (sem computador) no lado suiço. O túnel está a 2400m de altitude, e quando saímos no lado suiço, em Boutg St-Pierre, estamos no meio de um glacial, temperatura de 0ºC e uma paisagem de neve cobrindo casas e os poucos carros estacionados em frente.

Depois de Bourg St-Pierre, começamos uma longa descida que vai até Martigny. Chegando quase a entrar na cidade, desviamos a rota para o Col. de la Forclaz, que vai nos levar direto à Chamonix. Novamente subimos, subimos e subimos, com várias tornantes, saindo do tempo bom para a neblina e então chuva. Fomos assim até Chamonix, onde chegamos já sem chuva. Deixamos o carro no parking St-Michel e fomos andar no centro. Várias lembranças da viagem dos Perdidos, inclusive a mesma confeitaria em que paramos em 99 para que todos fosse ao banheiro… Paramos nela apenas para comprar croissant e um outro doce que não lembro o nome, que saímos comendo extasiados pelas ruas. Fomos até quase a entrada do Aiguille du Midi (onde há o teleférico para subir no Mont Blanc), mas decidimos não subir.

Alpes 156
(Em Chamonix)

De volta ao carro, nosso destino passou a ser Annecy, onde chegamos rapidamente por uma estrada com muito movimento de final de tarde de sexta-feira. Entramos facilmente e fomos direto ao Hotel Ibis Centro, próximo à cidade velho e ao lago. Lotado. Fomos ao Best Western e Novotel: muito caros. Fomos ao Ibis na periferia da cidade: também cheio. Quase desistindo, encontramos o Hotel Kyriad (de rede), agradável, com aspecto bom e, melhor, preço bem acessível. Ficamos.

Jacque:

Ficamos descansando um pouco, após o banho, e voltamos ao centro de Annecy para jantar. A cidade é linda demais, parece desenhada pelas estúdios Disney! Um belíssimo lago de águas transparentes, alguns canais, com patinhos e cisnes, que cortam as ruas da cidade antiga. Muito bem iluminada e cheia de restaurantezinhos simpáticos com preço razoável. Caminhamos um pouco para ver os preços (um deles inclusive tinha decoração de “carnaval” com balões, máscaras, serpentinas a as atendentes fantasiadas.

Optamos pelo restaurante La Bastille, aconchegante, paredes repletas de quadros com fotos antigas, pequenino. Pedimos o menu de Eur 15,00. Eu – salada verde, truta grelhada, batata gratinada e crème brulée. Marcelo – presunto branco, contra-filé grelhado, batata gratinada e crème brulée. Para acompanhar, 1/2 jarra de vinho tinto e água mineral. Total, Eur 41,00.

Na hora de fazer os pedidos, eu me atrapalhei e pedi a sobremesa quando o garçom perguntou o que queríamos para beber… O Marcelo ficou “se deitando” (“mangando”) de mim o resto da janta. A cozinha desta região (Rhône-Alpes) é a cozinha típica da região de Savóia, com muitos queijos. Os pratos tradicionais são o fondue, as tartiflettes (tipo raclete) e as trutas e frutos do mar. Tudo muito gostoso.

Fomos embora “super-satisfeitos”. Tentei ligar para o pai e a mãe mas não atenderam em casa e o celular desligado… Devem ter ido para a praia…

Agora é hora de descansar (do descanso… isso é bom!).

Saturday, March 11, 2006

07/02/02 – Aosta, Val D’Aosta

(8º dia - Hote Milleluci)

Jacque:

Só para descrever a cena: acabo de tomar um banho ótimo, estou recostada em uma cama imensa, de um quarto lindíssimo com aspecto muito novo e decoração rústica, da janela do hotel uma pequena sacada e a estonteante vista dos alpes nevados por todos os lados e, abaixo da colina em que se encontra o hotel, as luzes da cidade de Aosta (por isso que o hotel se chama Millelucci). É uma gracinha, tudo supernovo. Estou vestindo um roupão branco do hotel e assistindo a CNN.

Claro que isso não é de barbada, são Eur 103.00 com café da manhã incluído (no saguão tem lareira e uma sala de café muito “fofa”, mas tenho a impressão de que somos os únicos hóspedes – quarto 129, “Ancolíe des Alpes” (cada quarto com nome de uma flor).

Bom, chega de deslumbramento, vamos falar do dia de hoje.

Acordamos com o despertador às 8h mas, como sempre, foi difícil levantar. Olhei pela janela e vi que não havia mais neve ou chuva e o céu parecia claro. Descemos para o café da manhã – muito bom, aliás (buffet com cereais, iogurte, pães, frios, croissants, geléias, etc).

Arrumamos nossas coisas, o Cello buscou o carro no parcheggio público, e saímos em direção à Duomo de Torino (San Giovanni Batisti). O estacionamento é bastante difícil, todos os lugares com parquímetro e mesmo assim lotados, tivemos que ficar rodando até liberar uma vaga.

Boa parte da Duomo está em restauração, infelizmente, pois a cúpula principal (e mais bonita) estava coberta, assim como o altar-mor. A catedral é de 1498 com um campanário de tijolos escuros que destoa completamente da igreja. O altar-mor, uma capela toda de mármore negro – Capella della Santa Sidone – abriga o Santo Sudário original (dentro de uma urno). O que está em exposição é uma reprodução. Do outro lado da Duomo estão as ruínas da Porta Palatina – ruínas romanas do século I d.c.

Pegamos novamente o carro e atravessamos o belo rio Pó para subirmos a colina que leva à Basílica de Superga. Sem dúvida, a vista mais impressionante da cidade e dos Alpes – imperdível! Erramos o caminho na subida, para nossa sorte, pois subimos por uma estradinha sinuosa mais longa, que cruza por pequenas bairros nos subúrbios de Torino, todos com neve e uma incrível vista da cadeia dos Alpes com o sol brilhando e batendo na neve.

Alpes 125

Alpes 126
A caminho da Superga

Chegamos à basílica com todos os arredores cobertos de neve e gelo (o que deixa extremamente escorregadio para se andar). A basílica, belíssima,foi construídapor Juvarra (o arquiteto que desenho praticamente todos os prédios de Torino) entre 1717 e 1731, feita por encomenda do Duque Vittoria Amadeo como pagamento de uma promessa à Virgem Maria por graça alcançada durante um ataque francês à cidade em 1706. É muito clara, ricamente decorada (barroca), e em 4 de maio de 1949 o avião que transportava o time do Torino – multicampeão à época – colidiu com a parte posterior dela. Todos os passageiros morreram. No local, há uma placa em memória dos mortos. Para chegarmos até o local, longa e cautelosa caminhada por um extenso corredor coberto de gelo e neve…

Alpes 127
Superga

Alpes 132
A vista de Turin e os Alpes

Descemos a colina e saímos de Torina em direção à Aosta e ao Parque Nacional del Gran paradiso. Na saída da cidade, paramos em uma grande hipermercado para comprarmos “provisões”, que estavam acabando. É incrível como esses mercados têm uma imensa variedade de produtos maravilhosos. Os vinhos varietais (milhares de marcas) têm preços bem razoáveis (a partir de † 1,50 – preço de uma coca-cola). Os queijos e frios são de deixar “tontos” e os biscoitos, pasticerias, etc, sempre deliciosos. Compramos um vinho, queijo defumado, copa fatiada, biscoitos e donuts, chips, etc.

Alpes 134
A caminho dos Alpes

Partimos com o carro carregado para “enfrentarmos” as minúsculas estradinhas do Parco Nazionale del Gran Paradiso. No mapa rodoviário, era praticamente impossível de se achar, acabamos subindo em um desvio na cidade de Castellomonte e entramos numa estradinha minúscula, sinuosa, montanha acima e sem acostamento, que subiu, subiu e não nos levou a lugar nenhum! Quando estávamos ficando realmente preocupados, conseguimos retornar e tivemos que descer todo o caminh de volta. Chegamos novamente à Castellomonte, encontramos a indicação para Ceresole Reale – a cidadezinha à beira de um lago que fica em um dos extremos do parque. Subimos muito, estrada também muito sinuosa porém muito bonita pela visão das montanhas e cidades coberta de neve. Passamos por pequenos vilarejos até chegarmos à Ceresole Reale, que parecia abandonada. O lago, totalmente congelado, casa aparentemente fechadas (só com fumaça saindo das chaminés).

Alpes 136
Parco Nazionale del Gran Paradiso

Tiramos algumas fotos e, quando íamos seguir adiante, descobrimos que a estrada estava fechada pela neve. Tivemos então que retornar todo o caminha até Castellomonte (de novo, de novo…) para seguirmos em direção à Aosta.

Hoje a máxima “retroceder nunca, render-se jamais” não pôde ser aplicada. Seguimos, então pela estrada com a eterna vista das montanhas até Aosta, onde chegamos ao entardecer, e fomos procurar o hotel que o guia indicava, e encontramos esta gracinha que eu descrevi no início do dia de hoje.


Ah, o queijo que compramos é ótimo!

Agora vou me arrumar para saírmos para jantar.

Alpes 139
Aosta e suas milleluci...

21:50h – Ah, que maravilha…

Saímos do hotal para jantar às 20h, demos uma volta de carro mas, como para centro antigo só há acesso para pedestres, estacionamos o carro em frente à Porta Augusta (Arco de Augusto). Caminhamos pelas ruas praticamente desertas, com as lojas quase todas fechadas, poucos restaurantes. Paramos para jantar no restaurante Piedmont, onde havia entrado um barulhento grupo de jovens ingleses.

Pedimos o menu del giorno, com primo piatti (gnocci al salsa di pomodoro e basílico eu e tagliatelli ai fungui o Cello), secondo piatti (salmone grelhado com batatas para mim, e cervo com polenta para o cello). Muito bom, quase “morremos” comendo, acompanhado de 1/2 garrafa de Merlot D’Aosta e minerale ‘gasata’. Saiu por † 38,00, e só na saída percebemos que a sobremesa estava incluída, mas tínhamos recusado… tsc, tsc, tsc…

Voltamos para o nosso lindíssmo hotel e agora vamos aproveitar para dormir cedo.

Buona notte, arrivederci!