Saturday, March 25, 2006

09/02/02 – Thun, Switzerland

(10º dia - Hotel Chartreuse)

Jacque:

O despertador tocou às 8h e só conseguimos levantar às 8:30. Tomamos um ótimo café da manhã no Kyriad (buffet com pães, frios, geléia, croissant, bolo, ovos cozidos, cereais…). Fizemos o checkout (a grande maioria dos hóspedes já havia saído para subir as montanhas) e fomos em direção ao Lac de Annecy para conhecermos a cidade “de dia”. Estacionamos no parking doHotel de Ville (o mesmo da noite de ontem). A cidade é mesmo muito linda (como os amigos Diovanne e Cris haviam dito).

Alpes 161
(Annecy)

O lago de Annecy é grande, ladeado por montanhas e com água verde transparente. No lago é possível velejar, remar, nadar e até pescar (tem placas que avisam que se pode pescar no máximo três trutas por pessoa com no mínimo 25cm de comprimento)> Certamente a truta que eu comi ontem foi pescada aqui! Do lago, partem canais rasos, de água límpida, que cruzam as ruas do centro antigo. Annecy é conhecida como a “Veneza da França”.

Alpes 159
("A Veneza francesa")

Annecy é mesmo um sonho. Caminhamos calmamente pelas ruazinhas de pedestres, passamos pela igrejinha (não sei o nome), mas não entramos porque (novamente) estava tendo uma missa de corpo presente. Fizemos uma caminhada pelo parque que tem à beira do lago. Várias pessoas caminhando e correndo, muito legal!

Pegamos o carro e fomos em direção à Genebra (Suiça), passando antes para abastecer no Carrefour que tinha o melhor preço (diesel 1litro = 0,72). Desta vez enchemos o tanque. Chegamos à Genebra e atravessamos para a margem direita do Lac Léman, rumo à Thonon e Evian, que são na França. Seguimos pela margem do lago com a paisagem bela, mas um pouco prejudicada pelo dia nublado e uma leve neblina. Em Thonon paramos no McDonald’s apenas para um “McMix” (que, aliás, estava lotado, bem como toda a estrada – carros com equipamento para esquiar), e paramos também num mercado onde comrpamos uma garrafa de suco de laranja e uma de água para fazermos nosso piquenique, que fizemos em Evian (a cidade da água mineral), em um lugar deserto na beira do lago (nós e as gaivotas). Havíamos comprado um bagette e dois croissants au chocolat et amendes antes de sairmos de Annecy. Fizemos sanduíches de baguette com requeijão com a nossa copa e queijo defumado – ficaram ótimos – e de sobremesa comemos os maravilhosos croissants com crème e amêndoas… Fora que a paisagem era inigualável.

Voltamos à estrada plenamente satisfeitos com o nosso almoço. Seguimos então por uma estrada colateral que nos levaria à estação de Les Diablerets (onde “encontramos” com a neve na viagem dos Perdidos, em 1999), Gstaad e, finalmente, Interlaken ou Thon, ambas na regi˜åo dos lagos (decidimos isso minutos antes, pois não tínhamos um plano pré-determinado). Subimos os novamente os Alpes com redução progressiva da temperatura e aproximação da neve. Na Suiça está tendo bem menos neve que na França, isso talvez explique o grande movimento em Annecy ontem…

Paramos em Les Diablerets no Centro de Informações para tentarmos câmbio (eram sábado, 4pm, estávamos ficando preocupados de não conseguir Francos Suiços). A mocinha do ‘i’ disse para o Marcelo que câmbio na Suiça só em bancos e só na segunda-feira! Resolvemos seguir até Gstaad (uma das estações de esqui mais “chiques” da Suiça) para vermos se realmente não havia chance de câmbio. Chegamos em Gstaad e paramos na Central de Informações Turísticas, pois não tínhamos moedas nem para colocar no parquímetro. Para nossa sorte, conseguimos o câmbio 1USD = 1,63 CHF (o oficial é 1,68, mas câmbio de final de semana em estação de esqui… não podíamos querer muito melhor, né?).

Com dinheiro no bolso, estacionamos o carro (apesar do parquímetro estar sem-emperrado) e fomo caminhar pelo “centrinho nervoso” de Gstaad. Très chiq! Pessoas elegantérrimas, visons misturados com roupas de esqui, cachorros “frescos” e as mais diversas línguas (inglês, alemão, italiano, francês). Gstaad fica no cantão alemão da Suiça, é pequena e tem hotéis carésimos! Olhamos alguns preços por curiosidade, a maioria das diárias custava mais de cem dólares por pessoa! Um dos hotéis tem o formato de um castelo e fica em uma colina acima da cidade (muito lindo!).

Alpes 172
(Gstaad)

Pegamos novamente o carro (que, aliás, está IMUNDO, por dentro e por for a) e descemos “a serra” por estradinhas sinuosas até chegarmos, já anoitecendo, na cidadezinha de Thun, à beira do lago Thunersee. No extremo oposto do lago encontra-se Interlaken, que visitamos em 1999. Passamos rapidamente de carro pela cidade e resolvemos perguntar o preço em um hotel um pouco mais afastado, mas muito simpático, Hotel Chartreuse. Tudo em alemão, inclusive os adoráveis edredons e travesseiros de pena. Preço CHF 130,00 = † 88,00 – bom para a Suiça. E com café da manhã! Rapidamente nos acomodamos, banho, etc.

O Cello “investigou” os preços do bonito restaurante do hotel mas eram exorbitantes! Fomos até o centro histórico, muito bonitinho, bem estilo alemão e jantamos na Tratoria Rimini, comida italiana mas atendimento germânico. Comi um delicioso risoto ao porcini e o Marcelo um macarrão au formule uni (com nata e speck), muito gostoso com birra e arrematado com café - CHF 50,00 = † 34,00! Saímos do restaurante e tentamos ligar para as respectivas famílias várias vezes, sem sucesso. Voltei ao hotel e tentei de novo o pai e a mãe (ninguém atende) mas consegui falar com o celular da Karina que disse que o pai e a mãe estão na praia. Pedimos que ela desse notícias para os nossos pais.

Gütten nicht!

Sunday, March 19, 2006

08/02/02 – Annecy, Rhône Alpes

(9º dia - Hotel Kyriad)

Marcelo:

Saudades da Soletur!

Hoje fizemos três países num único dia. Explico no decorrer da narração.

Após uma maravilhosa noite de sono no não menos maravilhoso Hotel Milleluci, acordamos com o espetáculo da manhã nos Alpes. A temperaura, 0ºC, e o sol só aparece lá pelas 10h, após vencer a altura das montanhas que circundam a simpática Aosta.

Alpes 142
(Manhã em Aosta)

Descemos para o café ainda admirados com o hotel quando fomos surpreendidos pelo café da manhã incluído na diária. Uma imensa mesa com diversos sucos diferentes, iogurtes, cereais, pães, tortas caseiras e doces, biscoitos, cookies, nutella, geléias, etc. Outra, com queijos e salames, quiches, etc. Uma loucura. Não sabíamos o que comer nem por onde começar.

Após o nababesbo café, fomos até a cidade passear e conhecê-la um pouco. Paramos o carro no parcheggio próximo a Porta Augusta (Aosta é a “Roma dos Alpes”) e depois de fazer câmbio e fotografá-la com o nosso hotel ao fundo, seguimos pela mesma rua onde fica o restaurante em que jantamos ontem. Fomos até a Porta Pretória (fotos) e seguimos para o Teatro Romano, que está em escavação e restauração. Em nosso passeio, ainda passamos pelo Hote de Ville (fala-se francês aqui tanto quanto o italiano). De volta ao carro, retornamos ao hotel, fizemos o checkout e deixamos Aosta.

Alpes 148
(Aosta)

Nosso projeto para o dia era ir até Courmayer e, pelo túnel do Mont Blanc, ir até Chamonix e terminar o dia em Annecy. Pela pequena e movimentada S26 (scenic route) fomos até Courmayer, cidade-irmã de Chamonix, separadas pelo Mont Blanc. Não estava muito frio, cerca de 7ºC, e notamos no caminho que algumas placas que indicavam o túnel estavam tapadas e outras não. Quando parei para abastecer, o frentista me disse que o túnel estava fechado e, para atravessar, só pelo túnel de Gran San Bernardo, que liga Aosta à Suiça (Bourg Saint Pierre).

Como tínhamos a intenção de visitar Courmayer, decidimos ir adiante e manter a – agora – esperança de passar pelo Mont Blanc diretamente à Chamonix. Chegamos lá, uma bela cidade alpinas, com fotos nossas, e a informação de que realmente o túnel que deveria ter sido reaberto em março de 2001, após o acidente de 1999, permanecia fechado.

Alpes 149
(Courmayer)

Nossa passagem da Itália para a França teria que ser passando pela Suiça, pois a única alternativa de transposição dos Alpes era o túnel de Gran San Bernardo. Todas as passagens alpinas estavam fechadas devido ao inverno. Retornamos de carro a Aosta e, de lá, rumamos para o San Bernardo, no que se mostrou uma ótima alternativa (além de única). A estrada que vai a ele é quase em cima da montanha, por isso subimos muito, até todo entorno da estrada ser neve e algumas árvores cobertas de neve. Completamente uma scenic route. Nos últimos 3 ou 4km antes do túnel, vamos subindo no que eu chamei de “túnel vazado” e a Jacque de “estrada coberta”.

Alpes 151
(A caminho do Gran San Bernardo)

Dentro do túnel, a aduana. Paramos o carro, a polícia verifica os passaportes (checa um banco de dados) no lado italiano e tem o mesmo procedimento (sem computador) no lado suiço. O túnel está a 2400m de altitude, e quando saímos no lado suiço, em Boutg St-Pierre, estamos no meio de um glacial, temperatura de 0ºC e uma paisagem de neve cobrindo casas e os poucos carros estacionados em frente.

Depois de Bourg St-Pierre, começamos uma longa descida que vai até Martigny. Chegando quase a entrar na cidade, desviamos a rota para o Col. de la Forclaz, que vai nos levar direto à Chamonix. Novamente subimos, subimos e subimos, com várias tornantes, saindo do tempo bom para a neblina e então chuva. Fomos assim até Chamonix, onde chegamos já sem chuva. Deixamos o carro no parking St-Michel e fomos andar no centro. Várias lembranças da viagem dos Perdidos, inclusive a mesma confeitaria em que paramos em 99 para que todos fosse ao banheiro… Paramos nela apenas para comprar croissant e um outro doce que não lembro o nome, que saímos comendo extasiados pelas ruas. Fomos até quase a entrada do Aiguille du Midi (onde há o teleférico para subir no Mont Blanc), mas decidimos não subir.

Alpes 156
(Em Chamonix)

De volta ao carro, nosso destino passou a ser Annecy, onde chegamos rapidamente por uma estrada com muito movimento de final de tarde de sexta-feira. Entramos facilmente e fomos direto ao Hotel Ibis Centro, próximo à cidade velho e ao lago. Lotado. Fomos ao Best Western e Novotel: muito caros. Fomos ao Ibis na periferia da cidade: também cheio. Quase desistindo, encontramos o Hotel Kyriad (de rede), agradável, com aspecto bom e, melhor, preço bem acessível. Ficamos.

Jacque:

Ficamos descansando um pouco, após o banho, e voltamos ao centro de Annecy para jantar. A cidade é linda demais, parece desenhada pelas estúdios Disney! Um belíssimo lago de águas transparentes, alguns canais, com patinhos e cisnes, que cortam as ruas da cidade antiga. Muito bem iluminada e cheia de restaurantezinhos simpáticos com preço razoável. Caminhamos um pouco para ver os preços (um deles inclusive tinha decoração de “carnaval” com balões, máscaras, serpentinas a as atendentes fantasiadas.

Optamos pelo restaurante La Bastille, aconchegante, paredes repletas de quadros com fotos antigas, pequenino. Pedimos o menu de Eur 15,00. Eu – salada verde, truta grelhada, batata gratinada e crème brulée. Marcelo – presunto branco, contra-filé grelhado, batata gratinada e crème brulée. Para acompanhar, 1/2 jarra de vinho tinto e água mineral. Total, Eur 41,00.

Na hora de fazer os pedidos, eu me atrapalhei e pedi a sobremesa quando o garçom perguntou o que queríamos para beber… O Marcelo ficou “se deitando” (“mangando”) de mim o resto da janta. A cozinha desta região (Rhône-Alpes) é a cozinha típica da região de Savóia, com muitos queijos. Os pratos tradicionais são o fondue, as tartiflettes (tipo raclete) e as trutas e frutos do mar. Tudo muito gostoso.

Fomos embora “super-satisfeitos”. Tentei ligar para o pai e a mãe mas não atenderam em casa e o celular desligado… Devem ter ido para a praia…

Agora é hora de descansar (do descanso… isso é bom!).

Saturday, March 11, 2006

07/02/02 – Aosta, Val D’Aosta

(8º dia - Hote Milleluci)

Jacque:

Só para descrever a cena: acabo de tomar um banho ótimo, estou recostada em uma cama imensa, de um quarto lindíssimo com aspecto muito novo e decoração rústica, da janela do hotel uma pequena sacada e a estonteante vista dos alpes nevados por todos os lados e, abaixo da colina em que se encontra o hotel, as luzes da cidade de Aosta (por isso que o hotel se chama Millelucci). É uma gracinha, tudo supernovo. Estou vestindo um roupão branco do hotel e assistindo a CNN.

Claro que isso não é de barbada, são Eur 103.00 com café da manhã incluído (no saguão tem lareira e uma sala de café muito “fofa”, mas tenho a impressão de que somos os únicos hóspedes – quarto 129, “Ancolíe des Alpes” (cada quarto com nome de uma flor).

Bom, chega de deslumbramento, vamos falar do dia de hoje.

Acordamos com o despertador às 8h mas, como sempre, foi difícil levantar. Olhei pela janela e vi que não havia mais neve ou chuva e o céu parecia claro. Descemos para o café da manhã – muito bom, aliás (buffet com cereais, iogurte, pães, frios, croissants, geléias, etc).

Arrumamos nossas coisas, o Cello buscou o carro no parcheggio público, e saímos em direção à Duomo de Torino (San Giovanni Batisti). O estacionamento é bastante difícil, todos os lugares com parquímetro e mesmo assim lotados, tivemos que ficar rodando até liberar uma vaga.

Boa parte da Duomo está em restauração, infelizmente, pois a cúpula principal (e mais bonita) estava coberta, assim como o altar-mor. A catedral é de 1498 com um campanário de tijolos escuros que destoa completamente da igreja. O altar-mor, uma capela toda de mármore negro – Capella della Santa Sidone – abriga o Santo Sudário original (dentro de uma urno). O que está em exposição é uma reprodução. Do outro lado da Duomo estão as ruínas da Porta Palatina – ruínas romanas do século I d.c.

Pegamos novamente o carro e atravessamos o belo rio Pó para subirmos a colina que leva à Basílica de Superga. Sem dúvida, a vista mais impressionante da cidade e dos Alpes – imperdível! Erramos o caminho na subida, para nossa sorte, pois subimos por uma estradinha sinuosa mais longa, que cruza por pequenas bairros nos subúrbios de Torino, todos com neve e uma incrível vista da cadeia dos Alpes com o sol brilhando e batendo na neve.

Alpes 125

Alpes 126
A caminho da Superga

Chegamos à basílica com todos os arredores cobertos de neve e gelo (o que deixa extremamente escorregadio para se andar). A basílica, belíssima,foi construídapor Juvarra (o arquiteto que desenho praticamente todos os prédios de Torino) entre 1717 e 1731, feita por encomenda do Duque Vittoria Amadeo como pagamento de uma promessa à Virgem Maria por graça alcançada durante um ataque francês à cidade em 1706. É muito clara, ricamente decorada (barroca), e em 4 de maio de 1949 o avião que transportava o time do Torino – multicampeão à época – colidiu com a parte posterior dela. Todos os passageiros morreram. No local, há uma placa em memória dos mortos. Para chegarmos até o local, longa e cautelosa caminhada por um extenso corredor coberto de gelo e neve…

Alpes 127
Superga

Alpes 132
A vista de Turin e os Alpes

Descemos a colina e saímos de Torina em direção à Aosta e ao Parque Nacional del Gran paradiso. Na saída da cidade, paramos em uma grande hipermercado para comprarmos “provisões”, que estavam acabando. É incrível como esses mercados têm uma imensa variedade de produtos maravilhosos. Os vinhos varietais (milhares de marcas) têm preços bem razoáveis (a partir de † 1,50 – preço de uma coca-cola). Os queijos e frios são de deixar “tontos” e os biscoitos, pasticerias, etc, sempre deliciosos. Compramos um vinho, queijo defumado, copa fatiada, biscoitos e donuts, chips, etc.

Alpes 134
A caminho dos Alpes

Partimos com o carro carregado para “enfrentarmos” as minúsculas estradinhas do Parco Nazionale del Gran Paradiso. No mapa rodoviário, era praticamente impossível de se achar, acabamos subindo em um desvio na cidade de Castellomonte e entramos numa estradinha minúscula, sinuosa, montanha acima e sem acostamento, que subiu, subiu e não nos levou a lugar nenhum! Quando estávamos ficando realmente preocupados, conseguimos retornar e tivemos que descer todo o caminh de volta. Chegamos novamente à Castellomonte, encontramos a indicação para Ceresole Reale – a cidadezinha à beira de um lago que fica em um dos extremos do parque. Subimos muito, estrada também muito sinuosa porém muito bonita pela visão das montanhas e cidades coberta de neve. Passamos por pequenos vilarejos até chegarmos à Ceresole Reale, que parecia abandonada. O lago, totalmente congelado, casa aparentemente fechadas (só com fumaça saindo das chaminés).

Alpes 136
Parco Nazionale del Gran Paradiso

Tiramos algumas fotos e, quando íamos seguir adiante, descobrimos que a estrada estava fechada pela neve. Tivemos então que retornar todo o caminha até Castellomonte (de novo, de novo…) para seguirmos em direção à Aosta.

Hoje a máxima “retroceder nunca, render-se jamais” não pôde ser aplicada. Seguimos, então pela estrada com a eterna vista das montanhas até Aosta, onde chegamos ao entardecer, e fomos procurar o hotel que o guia indicava, e encontramos esta gracinha que eu descrevi no início do dia de hoje.


Ah, o queijo que compramos é ótimo!

Agora vou me arrumar para saírmos para jantar.

Alpes 139
Aosta e suas milleluci...

21:50h – Ah, que maravilha…

Saímos do hotal para jantar às 20h, demos uma volta de carro mas, como para centro antigo só há acesso para pedestres, estacionamos o carro em frente à Porta Augusta (Arco de Augusto). Caminhamos pelas ruas praticamente desertas, com as lojas quase todas fechadas, poucos restaurantes. Paramos para jantar no restaurante Piedmont, onde havia entrado um barulhento grupo de jovens ingleses.

Pedimos o menu del giorno, com primo piatti (gnocci al salsa di pomodoro e basílico eu e tagliatelli ai fungui o Cello), secondo piatti (salmone grelhado com batatas para mim, e cervo com polenta para o cello). Muito bom, quase “morremos” comendo, acompanhado de 1/2 garrafa de Merlot D’Aosta e minerale ‘gasata’. Saiu por † 38,00, e só na saída percebemos que a sobremesa estava incluída, mas tínhamos recusado… tsc, tsc, tsc…

Voltamos para o nosso lindíssmo hotel e agora vamos aproveitar para dormir cedo.

Buona notte, arrivederci!

Saturday, February 25, 2006

06/02/02 – Torino, Piemonte-Val D’Aosta

(7º dia) Hotel Roma

Marcelo:

O despertador tocou às 8h, e lentamente levantei para tomar banho e fazer a barba enquanto a Jacque dormia mais um pouco. Após, foi a vez dela tomar banho e se arrumar. Estávamos prontos às 9h20. Fizemos o checkout e fomos conhecer a cidade de dia, além de providenciar o café da manhã.

Estacionei o carro no parking do Hotel de Ville e saímos para andar. A temperatura era de 5ºC e chovia. Caminhamos numa avenida de comércio onde encontramos um “supermarché” em que compramos leite com chocolate e uns queijinhos para passar no pão. No caminho de volta ao carro, paramos numa pasticerie e compramos pan au chocolat e uma baguette. Na saída da cidade, à beira do lago, tomamos nosso café, deixando o carro todo cheio de farelo…

Alpes 102
Aix-les-Bain

Deixamos Aix-les-Bains em direção à Chamberry e aí iríamos para a Itália, mais especificamente para Turin, na região do Piemonte. Para tal, escolhemos o caminho que não teria pedágio, via N6 mas, por alguma distração minha, entramos na A43, a autoroute que leva para o túnel de Frèjus, a única ligação possível com a Itália nesta região.

No caminho, muitos caminhões e chuva. A temperatura caiu até zero graus enquanto subíamos para o túnel. A paisagem lentamente foi tornando-se branca até onde nossa vista alcançava, não muito longe, devido ao mau tempo. Quando chegamos próximos ao túnel, havia neve por todos os lados e a chuva tornou-se uma muito discreta queda de neve.

A passagem, o túnel, com pedágio custando caros †31.50, tem aproximadamente 12,8km, um longo trecho em que a temperatura sobe de 1º a 18ºC. É angustiante para pessoas com algum grau de claustrofobia, o que não é o meu caso… A nossa dúvida era se o cenário alpina de mita neve continuaria. Continuou. E mais, logo saímos da rodovia pedagiada para uma colateral e o cenário era um só: neve, ao lado da estrada, nos pinheiros, por tudo (com exceção da estrada em si) e neblina, muita neblina. Visibilidade quase zero. Estrada cheia de curvas, andando a uns 50km/h, carros eventuais passando rápido – na minha opinião – em sentido contrário. Pensando bem, um horror. Mas muito legal!

Alpes 110

Desta forma, chegamos ao “ring” de Turin e seguimos até encontrar a saída para o centro da cidade. Neste momento, a maior supresa do dia: neve, de novo. Só que caindo, e cainda MUITA neve. Os carros parados na rua cobertos por uma grossa camada de gelo. Um show para quem vive nos trópicos. Emocionados, conseguimos chegar, através de indicações, ao centro. Não tínhamos nenhuma noção da cidade. Nada, nem hotéis ou atrações turísticas. “Tateando no escuro”, encontramos o “i”, o Tourist Information.

Parênteses. Deixa eu falar um pouco de mim. Não gosto de – em viagens – chegar a cidades grandes. Prefiro as pequenas, de interior. Cidade grande normalmente tem hotéis mais caros e de menor conforto que nas pequenas. No trânsito, sempre é um saco, não tem onde estacionar, etc. Fecha parênteses.

Pelas razões supra-citadas, entrei no Tourist Information, peguei um mapa e falei com a mocinha pedindo uma indicação de hotel. No computador, com os requisitos que dei (quarto de casal, com banheiro, perto do centro, com estacionamento, até † 80), encontrou dois hotéis. Escolhi o mais perto do centro. Ela, então, reservou um quarto e me deu instruções de como chegar nele. Facilmente, cheguei até a rua 20 de Setembro, mas não encontramos o hotel. Três, quatro voltas passando pela rua, eu já amaldiçoando todas as grandes cidades do mundo (exceção de Paris e Porto Alegre), e encontramos. Ficava no terceiro andar de um prédio velho (não antigo) e no luminoso faltava o ‘H’ de hotel. Vacilamos, e decidimos procurar outro.

Em frente à praça da estação central, achamos o Hotel Roma, mais caro do que eu gostaria, mas nenhum absurdo. Garagem com controle remoto. Ficamos nele. O quarto bem meia boca, mas com uma cama muito boa (colchão de mola), Tv a cabo, uma grande banheira e internet point no sagão.

Alpes 111 Alpes 120


Após nos instalarmos, saímos a pé para conhecer a cidade. Diga-se que aquela neve que nos recebeu na chegada, somada à sujeira das ruas (poeira), derretida pelos carros que passam e pessoas caminhando, vira um grande “lamaçal”. Saímos pela via Roma, com suas galerias cobertas cheias de lojas e boutiques finas, até a Piazza Castello, onde ficam os Palazzos Reale e Madama. Fotos úmidas, e circulamos pela Via Pó até o Museu Nacional do Cinema, que tem a Moli Antonelliana, prédio com uma estrutura muito alta, que durante um período foi a mais alta do mundo.

Circulamos por ruas úmidas e embarradas mais um pouco e voltamos ao hotel, onde ficamso vendo tevê e descansando, tomando vinho antes de nos arrumarmos oara a janta, que foi na Pizzaria Lullaby, próxima ao hotel, spaguetti a carbonara para mim e pizza da casa para a Jacque.

Antes de voltar ao hotel, telefonamos para os pais da Jacque. Chegando no hotel, fomos à internet responder emails e enviar notícias da viagem.

Até amanhã.

Sunday, February 19, 2006

05/02/02 – Aix-les-Bains, Rhône-Alpes

(6º dia - Hote Acquaviva)

Jacque:

Acordamos no charmoso Hotel de France com dia nublado e frio. Saímos do hotel para o café da manhã pois este não estava incluído na diária e custava Eur 8,50 por pessoa. Acabamos no McDonalds, onde pedimos o “petit dejeuner” = dois Maxi Mac Sucré (Eur 4,10) – um absurdo de grande: suco de laranja, café + crème, iorgurte de framboesa, duas fatias de “pão amassado”, dois meios vrioche, duas panquecas + geléia, mateiga e maple syrup… Comemos feitos uns loucos!

Alpes 077
Abadai de Brou

Saímos então com o carro para visitarmos a Abadia de Brou, em estilo gótico, com telhado de mosaicos coloridos e que abriga o túmulo de Margarida da Áustria e de seu marido Filisberto, o Duque de Savoy. Apesar dos 10ºC, a sensação térmica era de muito menos, pois estava nublado e com um vento muito gelado. Tiramos algumas fotos externas e voltamos ao Centreville, pois era necessário pagar para visitas a abadia por dentro… Largamos o carro no hotel e fomos até a bela catedral de Notre Dame, mas – quando entramos para cpnhecê-la por dentro – percebemos que estava ocorrendo uma missa “de corpo presente’. Um funeral. Ficamos alguns segundos e saímos “de fininho”. Demos mais uma volta pelas simpáticas ruazinhas do centro histórico atrás de câmbio, porém não encontramos… contamos nosso dinheirinho e ele dava exato para pagar a conta do hotel (Eur 74.00). Fizemos o checkout e saímos em direção à Lyon, sem nada de Euros no bolso…

Alpes 080
Hotel de France, Bourg-en-Bresse

O trajeto entre Bourg-èn-Bresse e Lyon era bastante curto. No caminho, sem autorização do Marcelo, eu apertei em um botão na alavanca do limpador do parabrisa para ver do que se tratava e, aparentemente, nada aconteceu. Após alguns minutos, vimos que no painel, onde indicava a quilometragem percorrida, estava aparecendo a informação de quantos quilômetros poderíamos percorrer até termos que abastecer. Isso no mesmo momento em que nos perguntávamos quanto ainda poderíamos percorrer sem problemas. Parecia que o carro estava nos tranquilizando… Era o computador de bordo, cujo botão eu havia apertado…

Chegamos a Lyon por volta do meio-dia. Cidade muito grande e muito linda! Trânsito um pouco confuso até conseguirmos estacionar em um parking pago em área bem central = Place Bellecour.

Alpes 083
Place Bellecour

Lyon é a 2º maior cidade da França e, como todas as outras, tem a área central antiga (medieval) e a área moderna. É banhada pelos rios Rhône e Saône, que se encontram em um ponto (o Saône desemboca no Rhône). As casas na margem dos rios têm todo mais ou menos o mesmo aspecto, são edifícios de 3-5 andares, antigos e muito bonitos. Estacionamos o carro na Place Bellecour, que é um dos extremos da região de Presq’le, o coração de Lyon.

A place Bellecour é um imenso largo vazio entre um quadrado perfeito de prédios e, ao centro, encontra-se a estátua equestre de Louis XIV. Saímos caminhando entre lojinhas, cafés e bares da rue Victor Hugo (só para pietons = pedestres) a fim de encontrar câmbio, fomos até a Gare Routiére (estação de trens) sem sucesso. Voltamos até a place Bellecour onde acabamos fazendo câmbio nos correios.

Alpes 085
Rue Victor Hugo

Paramos para um gostoso sanduíche de baguette na cafeteria Pomme au pain e após seguimos nosso passeio pela região do Presqu’le = muitas lojas, restaurantes, etc. Clima muito bom. Seguimos pela Rue République até chegarmos atrás da prefeitura, onde ficava a “esquisita” Ópera de Lyon, cuja parte de baixo do prédio é totalmente clássica, com colunas jônicas e a parte superior é “super-modernex” com abóbada muito alta de ferro e vidro. Ao lado um praça com esculturas modernas do rio Rhône (e um frio de rachar…).

A prefeitura “Hotel de Ville” é um prédio lindíssimo que fica de frente para a Place des Terraux (séc.XVII) a ao lado está o Museu de Beaux Arts (Palais de Saint Pierre) que antigamente era um convento Beneditino. Na praça também está uma belíssima escultura de Bartholdi (o mesmo da Estátua da Liberdade) com quatro cavalos imensos e um anjo (ou guerreiro? Ou os dois?). Fomos a pé a margem do Saône e retornamos lenta para a Place Bellecour para buscar o carro. De lá, seguimos para a margem oeste do Sône, onde fica a “cidade velha”, linda, porém com ruas estreitas e acesso restrito aos carros.

Alpes 093
Ponte sobre o Saône

Subimos em zigue-zague por um caminho “estreitíssimo” até a Basilique Notre Dame de Fourvière, que fica no alto de uma colina e de onde se tem uma bela vista de toda a cidade. A Basílica é lindíssima, muito imponente e ricamente decorado com mosaicos em estilo bizantino, porém é bem nova (construída no final do século XIX). Atrás da basílica um jardim com caminhos sinuosos (Chemin du Rosaire) onde pode-se subir ou descer para a cidade velha. Antes de irmos embora de Lyon, ainda visitamos as ruínas dos tetros romanos que ficam bem próximos à Basílica. O Grand Theatre tinha capacidade para dez mil pessoas e foi construído no século XV antes de Cristo. O Theatre Ódeon é menor, mas igualmente belo (ambos em formato de concha acústica e ainda utilizados em concertos).

Alpes 100
Grand Theatre

Decidimos deixar Lyon às 16h30, com muito frio e dia nublado. Parecia que já estava anoitecendo. Havíamos decidido ir até Grenoble, mas depois mudamos para Annecy, até que o Marcelo sugeriu Aix-les-Bains, onde viemos parar… Na verdade, custamos muito para sair de Lyon (trânsito intenso e longa volta na periférique). Pegamos a N6 em direção à Chamberry/Grenoble, muito engarrafada na saída da cidade. Já noite com fechada (isto é, 18:30) o trânsito melhorou só que começou a chuviscas. Chegamos em Aix-les-Bains por volta das 20 horas.

A cidade fica às margens do lago Bourget, aos pés dos Alpes (é o que diz o guia, pois estava escuro e só vamos poder saber amanhã…). Tentamos encontrar hotel no centro, mas a maioria está fechada pela baixa temporada. Seguimos a indicação do livrinho da Best Western e acabamos no Hotel Acquaviva (3*), que faz parte do Le Domain d’Aix-Marlioz, dois hotéis com áreas de lazer em comum, incluindo centro de hidroterapia… Essa é um região de termas, que já existiam há mais de dois mil anos, e as Thermes Nationaux do século XIX ainda são utilizadas. Diária a †68.00 sem café. Largamos nossas coisas e saímos de carro (com chuva) para procurarmos um lugar para jantar (rodamos um pouco, muitos lugares fechados) até que paramos no pequeno Les Arcades, onde tomamos uma deliciosa Soupe d’Ognion Gratinée com vinho rouge da casa.

Retornamos ao hotel e acessamos a internet e vamos dormir. Tô morrendo de sono… Amanhã talvez escreva da Itália.

Buon nuit.

Thursday, February 09, 2006

04/02/02 – Bourg-en-Bresse, Rhône-Alpes (5º dia)

(Hotel de France – Best Western)

Marcelo:

Dia de deixar Paris, mas não para voltar para casa.

Acordamos cedo, 8h, tomamos o último café no Hotel Minerve e nos aprontamos para o checkout. O plano era fechar a conta do hotel, deixar as bagagens lá e na agência da Euroline para o Neni tentar trocar a passagem para poder fazer uma parte da viagem conosco.

Chegamos na loja – Rue St Jacque, 55 – à 9h25 e ela abria às 9h30. Esperamos, atrasou e, às 9h45, quando a Jacque e eu íamos pegar o RER B para buscar o carro no aeroporto Charles de Gaulle (CDG), a loja abriu. O Neni conversou, viu que teria que comprar outra passagem e tentar o reembolso da parte que não faria mas que já comprara. Deixamos ele pensando e fomos buscar o carro. Com o RER B, fomos até o terminal T9 do CDG e, lá, até a Renault Eurodrive para retirar o carro.

Chegando, nova surpresa: já sabíamos que havíamos ganho um upgrade do Mégane para o Laguna, e ali descobrimos que era o novo Renault Laguna DT 1.9 turbo diesel, reestilizado. A chave, um cartão, e a ignição apertando um botão. Ar condicionado independente para cada passageiro, airbag duplo, computador de bordo, seis marchas. Um avião, praticamente.

De carro, voltamos à Paris para ir buscar as malas e o Neni no hotel. Aquela altura, ele já deveria ter se decidido. Circulamos pela peripherique, entramos na Pont de Bercy, cruzamos o Sena pela ponte de Austerlitz e, ao lado do Institut du Monde Arab, entramos à esquerda para pegar a rue des Écoles. Chegamos ao hotel, carregamos o carro junto com o Neni e então ele revelou que não havia decidido se iria junto com a gente ou não. Seguimos novamente até a agência da Eurolines e ele entrou enquanto ficamos esperando no carro. Após alguns minutos, ele voltou e saímos da St Jacques pela Écoles, entrando à direita na St Michel e novamente à direita para entrar na Blv St Germain,a caminho de sair de Paris enquanto ele fazia os últimos cálculos parta decidir se nos acompanhava ou não.

Perto da Bastille, estacionei o carro, e ele decidiu que ia seguir o seu plano orginal de viagem: Bruxelas, Amsterdan, Londres e volta à New York. Nos despedimos emocionados, e nos separamos.

Agora apenas a Jacque e eu, saímos para a peripherique para, então, pegar a A6 em direção à Lyon, nosso objetivo. Inexplicavelmente, entramos direto na A4, rumo à Nancy e Metz, quase oposto do nosso destino planejado. Quando percebemos o erro, a Jacque se apressou em corrigir a rota com um caminho alternativo e evitando as autoroutes. Desta forma, saímos da A4 para a D231, que nos levou a Provins, cidade que não constava em nosso gui de viagem.

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Uma simpática cidade com seu centro medieval, fomos de carro por estreitas ruelas íngremes que nos levaram até a Eglise de St.-Quiriace, que data de 1160. Fotos, e seguimos em frente, porque (piada velha) retroceder nunca, rende-se jamais. Pela D403, fomos até a cidade de Sens, conhecida por causa da tribo dos senones que, em 390 AC tentou saquear o Capitólio Romano e foi impedidapor gansos, de onde surgiu a expressão “alertar os gansos”.

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Estacionamos o carro e fomos caminhar pelo seu centro, junto à catedral de St.-Etiénne, a mais antoga das principais catedrais góticas da França. Muitas feiras livre nas ruas em volta da catedral. Visitamos também o mercado público local. De Sens, pegamos a N6, passando próximos a Auxerre, Avalon e Chalon-Sur-Saône, onde paramos num supermercado para compras as primeiras provisões.

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Após rodar por 500km no dia, chegamos em Bourg-en-Bresse, nosso novo destino para hoje. Encontramos facilmente o Hotel de France, da rede Best Western, diária a Eur 74,00, onde nos instalamos. Após largar as coisas no quarto, à 9 pm, saímos para jantar: galinha (especialidade da região) com batatas fritas e salada verde. Mais embuchante, impossível. Juntos, tomamos uma garrafa de Merlot com água mineral. Voltamos ao hotel “acabados”, e agora vamos dormir.

Hasta mañana.

Tuesday, January 31, 2006

03/02/02 – Paris (4º dia)

(Hote Minerve)

Jacque:

Buon jour, Paris!

Acordamos (a muito custo) às 8:30 só porque o despertador tocou… O Neni só gemeu e virou para o lado para dormir enquanto eu comecei a me arrumar e o Marcelo foi fazer a barba.

Descemos para o café e, quando voltamos, os meninos decidiram que iam demorar um pouco mais, para poderem ir ao banheiro… enquanto “disputavam” quem iria primeiro, eu desci para uma caminhada e combinamos o nosso reencontro em 30 min no saguão.

Saí para um tranquila caminhada na manhã nublada de domingo. Subi a primeira quadra da Rue Monge e após peguei a Mouffetard, que é uma rua muito agradável, parte restrita para pedestres, repleta de lojinhas, boulangeries, pasticerries, restaurantes e várias fruteiras. Muitas destas expõem seus produtos na calçada, ficando com um agradável aspecto de feira-livre… Retornei pela Monge, onde também tinha uma feira livre com belíssimas bancas de queijos, frios e frutas, além de um enorme aroma de frango assado, que se espalhava por toda quadra!

Reencontrei os guris e então seguimos a pé por trás da Notre Dame até chegarmos à Ile de Saint Louis, bairro residencial e de lojinhas chiques com mil e uma “inutilidades”, todas muito bonitinhas. Cruzamos para a Rive Droit e caminhamos até a place da Bastille, onde está a coluna de Juillet, um monumento em forma de coluna de 52m de altura, com coloração esverdeada, muitas inscrições nas laterais e, no topo, a estátua dourada do “Gênio da Liberdade”. É neste lugar que ficava a antiga prisão que foi atacada pelos revolucionários em 1789, a “queda da Bastilha”, inicando a revolução francesa. No outro lado da praça encontra-se a moderna e imensa Ópera da Bastilha, inaugurada em 1989.

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Continuamos caminhando pelo bairro de Marais até a Place des Voges, lindíssima, perfeitamente simétrica, cercada por um conjunto de prédios cor de tijolo e bege (parecem aqueles “toquinhos” de madeira para montar). As fontes estavam sem água, mas mesmo assim o ambiente é realmente um charme… Nas galerias que cercam a praça (embaixo dos prédios) encontramos cafés, antiquários, lojas e havia um quarteto tocando jazz em troca de alguns trocados… os caras tocam tri-bem… Não preciso dizer que o Marcelo já ficou todo “faceirinho”, dizendo que iria trazer o Magno, o Márcio e o Dani para viajarem, tocarem, e “faturarem” alguns trocos… Saímos para procurar a estação do metrô e, enquanto olhávamos o mapa, um senhor idoso muito simpáticos se ofereceu para nos ajudar e mostrou onde ficava o metrô.

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Pegamos o metrô e os guris ficaram na estação do Louvre e eu segui até a Place de la Concorde (duas estações depois), de onde segui calmamente a pé pela Ponte de la Concorde, Avenue Marechal Galieni (até a frente do Les Invalides) e após – finalmente – cheguei ao meu destino: Musée Rodin!

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Entrei nos portões do Hôtel Biron, imponente maison onde morava e “esculpia” o grande escultor francês Auguste Rodin, e – para minha agradável surpresa – não só no Louvre, mas, em todos os museus de Paris, o primeiro domingo do mês é gratuito! Iniciei meu passeio pelos jardins da maison, muito amplos e tranquilos, onde está o bronze (reprodução) d’O Pensador, os bronzes (um dos originais) do ‘Portões do Inferno’ – estupendo! – e dos ‘Burgueses de Callais’, além de outras obras de seus discípulos que foram “assinadas” por Rodin por reconhecimento da qualidade da obra.

Após, entrei no museu propriamente dito, por onde segui lentamente apreciando as obras de Rodin, com destaque para o Beijo, o homem caminhando, São João Batsita, Eva, as três sombras (do topo do ‘Porões do Inferno’) e a belíssima sala dedicada à sua aluna-colega-amante, a genia; Camille Claudel, com ‘A Maturidade’, ‘A Suplicante’, “A Valsa’, ‘A Onda’, etc. Muito lindo!

Como ainda faltava cerca de uma hora para a hora de reencontrar os guris, saí calmamente caminhando pelas ruas de Paris, admirando cada vista desta cidade que cada vez me encanta mais… A visão da belíssima dôme do Les Invalides, a tour Eiffel por entre os galhos secos das árvores, a estonteante Pont Alexandre III, o Sena (ah, o Sena…). Desci pela Pont Alexandre III até a margem do Sena e fui caminhando junto com jovens, crianças e famílias inteiras que circulava de roller, patins e patinetes (aliás, muitas pessoas utilizam os rollers como meio de transporte e circulam em altíssima velocidade, e um deles tinha até buzina!).

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Subi de volta na Pont Solferino, que sai mais ou menos no meio das Tulleries. Segui até o nosso ponto de encontro e os guris já estavam lá me esperando sentados nas cadeiras aoi redor de um dos laguinhos do parque das Tulleries. Atravessamos a Rue Rivoli e fomos até a chiquérrima Place Vendôme (aquela das jooalherias – Cartier, Rolex, Cleef and Arpeels, Tiffanys Co e do famoso Hotel Ritz). Caminhamos pela Rue de la Paix até a frente da Ópera Garnier, um prédio soberbo de 1862, projetado por Charles Garnier para Napoleão III.

Eu e o Cello paramos para almoçar no Brioche Dorée – sanduíches de baguette deliciosos, o meu de frango “Le Poullet” e o dele “Le American”: queijo, presunto, ovos, picles. Completamos a “lauta” refeição com uma tarte au fraise (morango) e uma tarte au chocolat et banane: DEZ! O Neni optou por comer um cachorro quente no caminho. Seguimos até a La Madeleine e retornamos à Place de la Concorde, seguindo no contra-fluxo de milhares de pessoas que circulavam pela Champs-Elysées (um típico domingo em Paris). Não conseguimos encontrar aberta a casa de câmbio que estávamos procurando, mas conseguimos outra com câmbio quase tão bom(1 Eur=0,88 USD ou 1 USD=1,13 Eur).

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Pegamos o metrô e, exaustos, retornamos ao hotel para descansar e tomar banho antes de sairmos para a janta de despedida – pizza – no La Comedia, e depois ao internet point que descobrimos ontem.

Au revoir, Paris… até a próxima!

22:30 – Tivemos um lauto jantar com pizzas que mal cabiam na mesa de tão grandes… Comemos até “estourar” e, mesmo assim, o Neni e eu não conseguimos comar toda nossa pizza. Além disso, o Cello e eu tomamos um caneco de 500ml de chopp cada um. Saímos “gemendo” do La Comédia com um vento muito gelado soprando nas ruas de Paris… fomos até as ruazinhas dos restaurantes gregos onde ontem havíamos descoberto um internet point mais barato (da rede Easy everything – vulgo “tudo fácil”).Por 1† cada, pegamos três computadores para acesso por 37min. Vi meus emails e mandei um para o Chefe, para a Dani e para a Kaká. Na verdade, foram pequenos bilhetinhos, pois o teclado é absurdamente diferente do nosso e é impossível acentuar as palavras, o que torna tudo mais lento!

Alpes 068

Bom, estamos novamente nos despedindo da Cidade-Luz. Amanhã é pegar o carro e pé na estrada (quase) sem destino!

Boa noite!

Wednesday, January 25, 2006

02/02/02 – Paris (3º dia)

(Hote Minerve)

Marcelo:

Havíamos marcado com o Neni para sairmos às 9h15. Ele atrasou e, enquanto esperávamos, notei que a diferença dos valores das diárias dos quartos duplos e triplos era de †11, menos do que ele estava pagando no albergue. Então, decidimos convidá-lo para ficar com a gente pagando só a diferença.

Achou ótimo, mas já havia pago a diária de hoje do albergue. Voltou até o mesmo para tentar reaver o dinheiro pago e trocar para o nosso hotel. Cerca de uma hora depois voltou com sua mochila, tudo certo. Enquanto esperávamos sua volta, ficamos andando pelo bairro, próximo à estação do metrô Jusseau, e percebi que era sábado, de manhã e – melhor – de sol. O melhor momento da semana. Paris é uma cidade maravilhosa sempre, mas num sábado de manhã de sol não tem comparação. Após mudarmos para o quarto triplo, ao lado, saímos para os passeios do dia.


Alpes 031 - Paris-Hotel-Minerve-quar

Começamos pelo Pantheon, com foto do trio em frente à Faculdade de Direito da Sorbonne. Seguimos depois pela avenida Soufflot até o Jardim di Luxembourg, onde o final da manhã de sábado completou o belo quadro. Circulamos por lá, tomamos sol e seguimos pela Blv St-Michel até a capela da St-Chapelle, onde o Neni entrou na boa com sua credencial de jormalista e nós pagamos †5,49 de ingresso. Antes disso, o estresse do Neni passando pelos detectores de metal com os filmes que não podem pegar RX. Visitamos a capela superior com seus vitrais impressionantes.

Alpes 033 - Paris-Colunas-Phanteon Alpes 040

Alpes 035 - Paris-Senado-ao-fundo

Saindo da St-Chapelle, voltamos à Notre Dame para fotografá-la. O sol incidindo nos vitraise na rosácea produz imagens impressionantes. Milhares de turistas como nós, e todos olhando para o Neni, com suas duas máquinas fotográficas penduradas no pescoço, uma com uma objetiva super-boa e a outro com uma grande angular. Eu, carregando o tripé. Ele tira fotos com as duas máquina alternadamente, alternando as lentes de uma para a outra, fazendo fotos para slide e preto-e-branco. Da Notre Dame, fizemos o caminho até o Pompidou, para então, na Place Igor Stravinski e seguindo até a Igreja de St-Eustache. Em frente, numa praça, há uma grande escultura de uma cabeça e um mão, que não lembro o nome. A igreja, por dentro, precisa de reformas. É úmida, a pintura das laterais não é boa e até pombas voam dentro dela.

Alpes 041Alpes 043

Neste momento, cerca de 3 pm, a fome começou a apertar, pois havíamos tomado café às 9am. Decidimos comer um hot dog (pão, duas salsichas, queijo) e depois ir até a Catedralde Sacre Couer. De onde estávamos (próximos ao Fórum de les Halles), decidimos ir até a estação do Louvre/Rivoli para, com uma baldeação, irmos até Montmartre. No caminho, encontramos uma banca e compramos cachorros-quentes. Perguntados pelo vendedor, não aceitamos maionese, mas sim mostarda e catchup. Ao comer, de repente tive a sensação de que a parte posterior da minha cabeça ia explodir, as minhas narinas ficaram completamente abertas e ardendo, e chorei. A mostarda era muito, mas muito forte, e a Jacque e o Neni tiveram extamente a mesma experiência que eu.

Refeitos do golpe, encaramos o metrô até a estação Abbesses, ao pé da colina (monte) de Montmartre. O que nos separava da Sacre Couer eram dois íngremes lances de escada que totalizavam quase duzentos degraus. Com (principalmente o Neni com todo o seu material) sofrimento, chegamos a uma Place du Tertre cheia de gente servindo de modelo para retratos, caricaturas, nos cafés, indo e voltando da catedral. Fomos até ela, iluminada pelo sol de fim de tarde, ponto de encontro de turistas, artistas de rua e seus espetáculos. Fotos, e então ficamos aguardando o pôr-do-sol para o Neni fotografá-lo junto com a torre. Um espetáculo digno da cidade.

Alpes 046Alpes 051

Voltamos de metrô ao hotel, com uma pequena parada num cybercafé para enviar a ‘A Sopa’ de forma precária. No hotel, descanso, banho de banheira com pequeno incidente comigo (tomei um “chupão” da banheira). Janta num restaurante grego e volta para casa.

Amanhã, último dia de Paris mas não de viagem.

Boa noite.

Saturday, January 21, 2006

01/02/02 – Paris (2º dia)

(Hôtel Minerve)

Jacque:

Estou absolutamente “morta” de cansaço! O dia foi de belíssimas e longas caminhadas…

Acordamos com o despertador às 8h30 para o café. No salão do café, casualmente encontramos dois guris que também eram de Porto Alegre. Depois do café, encontramos o Neni no saguão às 9h30, dia nublado e frio (acho que entre 7-10ºC) com cara de chuva mas, para nossa sorte, não choveu.

Saímos a pé com nossas mochilas (a do Neni deve pesar uns 15kg, com duas enormas máquina fotográficas e várias lentes igualmente enormes…). Fomos até a margem do Sena na parte posterior na Notre Dame, seguimos pela lateral e entramos na belíssima Igreja, apesar das cores dos vitrais estarem mais apagadas pela falta de sol!

Alpes 002 - Paris Fundos Notre Dame

Da Notre Dame, saímos pela margem esquerda da Ile de la Citté, descemos até a margem do Sena e seguimos até a Place Dauphinem que é a “ponta” da Ile de la Citté, logo em frente da bela Pont Neuf (que apesar de se chamar ponte nova, é a mais antiga de Paris [1578-1607]). Atravessando a Pont Neuf para a margem direita, fomos até o Louvre apenas para algumas fotos (vamos tentar visitá-lo no domingo, que é o primeiro do mês e, portanto, gratuito). Atravessamos saindo do Louvre, todo o deslumbrante Jardin des Tulleries, cheio de gaivotas boiando nos laguinhos e onde aroveitamos para sentar e descansar alguns minutos. Fotos, fotos e mais fotos, a nossas “turísticas” e as do Neni “artísticas”.

Alpes 013 - Paris-Trio-no-Louvre

Alpes 017 - Paris-Tulleries2

Seguimos, então, até a Place de la Concorde, já sem a roda gigante do milênio e subimos a pé toda a Champs Elyseés, sempre charmosa, parando apenas para câmbio na galeria do Hotel Claridge (por incrível que pareça, o melhor câmbio que encontramos: 1 Euro = 0.87 USD, sem taxas!). Fomos até o Arco do Triunfo para novas fotos. Não nos encorajamos a subir os trezentos e tantos degraus que levam ao topo.

Caminhamos toda a Avenue Keblér, onde o Marcelo comprou um cartão telefônico e após mais ou menos quinze minutos tentando se entender com um funcionário da Renault (em inglês e “portunhol”) conseguimos confirmar a retirada do carro, porém não na loja da Renaul e sim no Aeroporto CDG (bem mais longe).

Compramos um “croque monsieur” delicioso para mim e um sanduiche de baguette para o Marcelo e seguimos até o Palais du Chaillot e ao largo do Trocaderó para as tradicionalíssimas fotos da Torre Eiffel. A Torre está com parte coberta e com telas e andaimes (pintura?!) e, com isso, de perto, acaba não ficando tão bonita… Seguimos pelo Champ de Mars atrás da Torre e caminhamos até o Hôtel des Invalides (museu do exército e mausoléu de Napoleão, recebeu este nome porque abrigava os veteranos da Revolução Francesa que não tinham “abrigo”). Não entramos para visita – os portões já estavam fechados.

Alpes 022 - Paris-Trocadero-Torre

Seguimos, já exaustos, até a ponte Alexandre III, construída especialmente para a Exposição Mundial de 1900 (assim como a torre) e de onde se tem uma bela visão da torre, o Petit Palais, Grand Palais e Place de la Concorde. É uma pena que as duas grandes esculturas do quatro cavalos com o anjo (Quadrigade de Récipon) que ficam nas extremidades do Grand Palais foram retiradas para restauração.

Pela Rive Gauche do Sena, seguimos, absolutamente mortos (pernas e pés doendo e risco iminente de “ruptura de bexiga”…), passamos pela frente do Museu D’Orsay e logo após os guris pararam para fazer câmbio para o Neni. Na frente da casa de câmbio dizia 1 USD = 1,178 Euro. O melhor câmbio! O Neni trocou USD 100 poreem recebeu com câmbio de 1,12! Foi a maior briga, os guris discutindo, o velho gritando, pois aquele valor era de venda de dólar e não de compra (baita golpe…). O cara se negou a devolver os dólares pois já havia registrado. Indignados, os guris acabaram desistindo e foram embora, revoltados.

Finalmente chegamos ao Blv St-Germain onde pude parar no McDonald’s para fazer um McMix… Após, fomos “nos arrastando” até o hotel, onde o Neni subiu conosco. Eu, após um revigorante banho de banheira, estou quase pronta para começar tudo de novo (menos, Jacqueline, menos…).

Até.

22:30 - Acabamos de voltar da nossa janta! O Neni saiu direto para o albergue e o Cello e eu descemos até o Blv St-Germain e jantamos no Café (Pizza des Artes, ao lado do Brioche Doreé). Eu comi pizza napolitana (com anchovas e alcaparras – ótima!) e o Cello, Regina (presunto e cogumelos), tomamos “Biérre a pression” (vulgo chop, Kronenberg) e dividimos uma sobremesa deliciosa chamado “Merengo” (sorvete com merengue e calda de frutas vermelhas).

Quando voltávamos para o Hotel, paramos para tentar novamente ligar para o Vicente, que está de anoversário hoje (e que queria muito estar aqui conosco!). Desta vez conseguimos! Foi ótimo falar com ele, que ficou “super-emocionado” e disse que estava chorando de alegria no corredor do supermercado… grande Vicente, felicidades!!

Voltamos muito satisfeitos para o hotel. Agora vamos dormir que amanhã tem muito para se fazer.

Beijos!

Friday, January 20, 2006

31/01/02 – Paris

Hôtel Minerve

Marcelo:

O vôo, que saiu às 23h50, foi realmente muito tranquilo. Momentos antes do embarque, comprei uma revista para ler na noite insone que me aguardava e, já na poltrona 36K, corredor à esquerda de quem entra, ajeitei-a para ler após a janta e quem sabe o filme, que descobri ser ‘Inteligência Artificial’, do Spielberg, o que não me animou muito, um filme de razoável a bom que se perde no final e eu não queria ver de novo. Sentia-me cansado, os olhos “pesados”, mesmo antes da janta e do Dormonid que tomei ao seu final, mas que não teve tempo de entrar em ação porque, segundo a Jacque, apaguei dormindo logo ao sentar na poltrona de volta do banheiro. O relógio já ajustado no fuso horário francês, dormi com pernas muito pouco inquietas, para meu espanto.

Quando ainda faltavam cerca de quatro horas para chegarmos em Paris, fomos todos despertados por uma solicitação de uma comissária que se houvesse algum a bordo, se apresentasse. Muito mais em busca de ação do que acreditando que poderia ajudar, atravessei o avião e fui onde estavam algumas comissárias e – logo identifiquei – um médico francês conversando com uma senhora idoso, a quem parecia faltar o ar. Fiquei observando por alguns instantes e tentei conversar com o colega, que não me deu atenção. Tentava fazer funcionar um monitor cardíaco mas não conseguia conectar os cabos ao aparelho. Comecei a ajudá-lo, tentando desentortar as conexões, sem sucesso. Neste meio tempo, transportamos a paciente para a classe executiva, onde ficaria mais confortável.

Quando pude, afinal, examinar a paciente e discutir o caso com o colega, chegamos a mesma hipótese diagnóstica: embolia pulmonar. Fui, então, chamado à cabine de comando onde expus o caso e nossa opinião de que deveríamos pousar o mais rápido possível. Faltavam, neste momento, duas horas para chegarmos em Paris e 1 horas (para trás) até Lisboa, local mais próximo. Foi solicitado que eu colocasse os fones e passasse o caso – em inglês – para uma central médica de comando, situada em Estocolmo. Com meu inglês (à época) meia-boca, quebrei o galho, mas a decisão foi prosseguir até Paris, mesmo que não tivéssemos recursos outros que não oxigênio por uma máscara muito precária. Fomos até o destino de olho na paciente, que chegou em condições adequadas para ser atendidas pelos médicos de terra. Com isso tudo, conquistei a simpatia da tripulação, que me ofereceu um lauto café da manhã (meio dia hora de Paris) na classe executiva.

Chegamos bem, junto com nossas malas, mas sem carimbo no passaporte para provar que entramos. Prontos, pegamos um táxi após fazer câmbio, e após não muito longa viagem, chegamos ao nosso hotel. Chegar no Hôtel Minerve, rue des Écoles, 13, vizinho de porta do Hote Família, é como voltar para casa. O pinheiro de natal não está no lugar, mas em dezembro volta. Instalados no quarto 401, tomei um banho rápido para “tirar o avião do corpo” e desci para esperar o Neni, meu irmão, que não via há 1 ano, chegar de toca de lã escondendo o cabelo meio comprido. Olho bem para “re-conhecer” o irmão que não é pródigo porque ainda não voltou.

Já com a Jacque junto, saímos a andar sem compromisso, ele conhecendo e nós matando as saudades da cidade, do Brioche Dorée, da padaria Paul, o rink de patinação em frente ai Hôtel de Ville, o entardecer de céu azul passando tonalidades avermelhadas até escurecer totalmente e a cidade mostrar porque é luz. À noite, o ritual: spaguetti a fruits de mer do La Comedia, Neni, Jacque e eu e o vampiro Pierre representando o Fred. Maravilhoso.

Alpes 001 - Paris Hote de Ville

A temperatura à tarde era de 13ºC.

Vive la France!

Wednesday, January 18, 2006

30/01/02 – São Paulo

Aeroporto de Guarulhos

Marcelo:

Contaré toda la verdad, diz o jornal do homem que está sentado bem à minha frente, aqui na sala de embarque internacional do Aeroporto de Guarulhos, onde estamos aguardando o vôo que sairá em 1h40min. Este é o início de mais um Diário de Viagem, assim como o foi o dos Perdidos na Espace, que virou livro.

Que el autor pague con su vida, diz outra manchete. Espero que consiga dar algum toque literário nestes escritos, pois é isso o que sou, um contador de histórias. Vou procurar ser persistente nesta tarefa, que na última vez foi executada brilhantemente pela minha parceira de sempre e amada esposa, a Jacque. Que também vai escrever a sua versão. E vamos nós de novo!

Esta viagem que começa agora é diferente das outras que fizemos para a Europa por duas razões básicas: primeiro, porque vamos só nós dois desde o início, desde Porto Alegre. Na vez do 'Natal na Neve', fizemos metade do roteiro sozinhos, o que foi ótimo, mas havia um grupo - mesmo que nada coeso - que saiu de Porto Alegre, e a segunda parte - quando incluímos o Fred - foi tão legal quanto a primeira. A segunda diferença das anteriores, e que talvez seja conseqüência delas, é que o tempo de planejamento foi menor e, conseqüentemente, a ansiedade pré-embarque também. A preparação foi tranqüila, assim como está sendo o seu início. O que não quer dizer que estamos menos felizes ou com menos expectativas e certeza de que será tudo maravilhoso. Diz um velho adágio (meu) que 'não existe a menor possibilidade de um viagem ser ruim', e não a dúvida de que esta irá confirmar a regra.

Mesmo com menos tempo e ansiedade, a viagem está muito bem estruturada e planejada. Vamos começar por Paris, a cidade que mais conhecemos fora do Brasil, no Hotel Minerve, a grata surpresa da virada 2000/2001. De lá, o Quartier Latin, vizinhos da Sorbonne, voltaremos a lugares queridos por nós (mesmo que estupidamente turísticos) e conheceremos outros que ainda não tivemos oportunidade, como a Saint Chapelle. Jantaremos, já na noite de amanhã, no simpático La Comédia, na Rue Monge, perto do Hotel de France, onde ficamos com os Perdidos em 1999, há algumas quadras do Minerve, com o seu indescritível spaguetti a fruits de mer, coberto de camarões gigantes e moulles.

Em Paris ainda, reencontrarei o meu irmão, e poderemos matar as saudades de um ano em que mora nos Estados Unidos - de onde viu e fotografou de perto a queda das torres - provavelmente tomando um café no La Brioche Doreé, na esquina dos boulevards Saint-Michel e Saint-Germain, acompanhado de uma tortelette de chocolate com banana que faz valer a pena sofrer a noite toda de pernas inquietas da classe econômica que nos espera.

Depois de Paris, Lyon, os Alpes franceses, o Piemonte e Val d'Aosta, o túnel do Mont Blanc, Suiça, Viena e o norte da Itália, os alpes italianos e - quem sabe - Garda e Como. Tudo de Renault Laguna, um upgrade sempre muito agradável. Vamos viajar, é o que importa. Importa o caminho, assim como as pessoas é que valem a pena. Até amanhã.

Jacque:

… E lá vamos nós…

Puxa vida, lá estamos novamente eu e o Cello embarcando para uma nova aventura européia… É maravilhosa, nada como “ralar” o ano inteiro para finalmente poder desfrutar de mais uma insquecível viagem de férias! Desta vez seremos só nós dois, os primeiros dias em companhia do Neni e após apenas Cello, Jacque, o Renault Laguna e as férias!

Esta semana foi super-corrida, tinha muitas coisas para serem resolvidas, alguns pacientes que não consegui dar alta antes das férias, e toda a confusão para deixar em ordem o material da Janssen (estudos clínicos).

Segunda `a noite tivemos uma fabulosa janta de despedida lá em casa. O Cello fez pão de passas (do Olivier) e um pernil de ovelha fantásticos! Eu fiz (só para variar) cogumelos com crème de queijo, arroz sete cereais com molho branco, saladas e Tiramisú. Além disso, vinho e champagne, etc. Foram a Zeca e o Pedro, o Adriano, o Magno, a Clau a Ale, a Dani e a Aline. O Magno ficou conversando com o Marcelo até às 3h da manhã e acabou dormindo no nosso sofá da sala.

Ontem (terça, 29/01) teve churrasco de despedida na mãe com a Kaká, Xú, Bi, Pai e Mãe, e também foi dez… Hoje o dia foi de férias… muito calor e sol, terminamos de arrumar as bagagens, fomos ao banco, shopping, etc.

O pai nos levou para o aeroporto às 18h. Aliás, vale comentar que o nosso aeroporto novo está realmente deslumbrante, supermoderno, bonito e confortável: um luxo. Foram ao aeroporto para as despedidas o ‘seu’ Gilberto, a Tânia, o pai e a mãe. Às 19h20 embarcamos. O vôo até São Paulo foi bem tranquilo, não estava lotado e já estávamos no MD-11 que mais tarde nos levará para Paris. Na saída, com céu muito claro, foi possível ver a free-way e todo o nosso litoral, bem legal.

Agora estamos na sala de embarque de Guarulhos e aguardamos nosso vôo que deve partir às 23h40. Espero que seja uma noite tranquila e que esta viagem, como todas as anteriores, seja maravilhosa.

Buon voyage!

Saturday, January 14, 2006

Europa Alpes & Lagos – Inverno 2002

Alpes 306 - Cartão Postal Passo sella Alpes 316 - Riva del Garda

Prefácio

Viajar já se tornara um vício. Daí para ficarmos viciados em escrever diários de viagem foi um “pulinho”. Depois de eu ter escrito o relato da viagem dos Perdidos na Espace e o transformado num livro, com capa e dedicatória, foi a vez da Jacque escrever o seu: o recém terminado “Europa 2000 – Natal na Neve”, que também foi impresso, encadernado e ganhou capa e prefácio escrito por mim.

Percebi que, além de reforçar a lembrança daquilo que foi vivido nas férias em trânsito, ao escrever um diário de viagem ganhamos um registro para o resto da vida. Um caderno de notas escrito à mão amassa durante a viagem e, por ser pequeno, pode ser perdido se deixado numa gaveta qualquer. Os diários impressos, não, estes ficam na estante junto com os outros livros (encho a boca para dizer, LIVROS), a postos para consultas, para quem sabe um dia uma nova geração de viajantes comece a imaginar lendo-os.

Por isso, escrever diários de viagem tornou-se uma obrigação para quando viajássemos, sem dúvidas. Na primeira vez, eu escrevi, e, na segunda, foi a Jacque. Quando surgiu a possibilidade da terceira, decidimos os dois escrever, o que mais que dobrou o meu trabalho para editar (eu sou o editor dos nossos diários de viagem) os escritos.

Dessa vez, não houve uma preparação muito longa antes de partir. Ao invés dos longos onze meses de espera das duas viagens anteriores, dessa vez decidimos viajar quatro meses antes da data da partida. Além disso, dessa vez fizemos a viagem sozinhos, com exceção dos dias em Paris, um destino que não pode faltar, quando estivemos junto com o Neni, meu irmão, que estava morando em Nova York e foi passar duas semanas na Europa e nos encontrar.